sábado, 18 de dezembro de 2010

A lógica da Madame não é tão festiva..

Dezembro.

Imagino se algum outro mês tem tal poder de abalar o ânimo de uma pessoa como Dezembro.

Realmente não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de natal, de ano novo, de amigo secreto, de formaturas.. É tudo o fim. O fim de uma etapa.

Imagino que se os rituais de nossa cultura seguissem a minha lógica Dezembro seria passado em luto - luto por tudo o que acabou, por tudo o que não pode ser mudado.

Sempre existem despedidas, e o mês doze simboliza isso pra mim.

Logo depois vem Janeiro, o mês do vácuo mental. Onde tudo o que tu tinha não tem mais e tudo o que era certo virou incerto. Hora de reconstruir. Começar do zero.

Preciso de forças para recomeçar. Preciso de um chá para digerir o passado.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Contos do espelho das graças


LH, parte quatro

Meu nome é Julho.

Com LH mesmo: J-U-L-H-O. Até hoje todos quando vêem meu nome escrito em algum lugar comentam “Olha, escreveram o teu nome errado”. E então eu começo a recitar aquela explicação elaborada e decorada faz anos.

“Não está errado, é assim mesmo que se escreve. Em homenagem ao mês de Julho, que não foi quando eu nasci, mas foi quando meu pai morreu”. Nessas horas alguns ainda demonstram algum tipo de pesar – mais por educação do que por comoção – e outros expressam todo o seu sentimento com um simples “hm”.

 Sou órfão  de pai. Já me acostumei com isso. Às vezes penso se não foi melhor assim; segundo minha mãe – vítima do câncer já faz três anos – ele era uma pessoa muito conservadora e teria me renegado. Sendo assim, mesmo que ele não tivesse morrido em um acidente de carro no meu quinto mês de gestação, hoje eu ainda não teria um pai.

Não guardo mágoas de minha mãe. Mesmo que no dia em que me assumi gay ela tenha me expulsado de 
casa. Verdade é que eu a amo muito e que no fim fizemos às pazes.

Pena que tenha sido dentro de um quarto de hospital...

Normalmente eu sei lidar com a saudade, mas quando a solidão me sufoca eu venho pra cá, na Redenção. Fico sentado na beira do lago, admirando as pessoas andarem nos pedalinhos em forma de cisne. Afinal foi minha mãe que me apresentou este local. 

Aqui eu me desligo, ignoro qualquer perigo que possa me rodear. As pessoas, o preconceito, a solidão; nada disso me toca, nada disso existe pra mim agora. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Contos do espelho das graças

Pelada no inverno, parte três:


Noite de inverno.

Por acaso sabe o que significa uma maldita noite de inverno?

Significa que eu terei de fazer uma escolha “simples” se quiser sair pro Pub hoje.


Opção um: Usar a roupa que eu quero, ficar bonita e morrer de frio.

Opção dois: Usar uma roupa quente que me deixe um balão.


Quer saber? Pro inferno tudo isso! Vou dormir pelada e ver algum drama bem pesado. Deixe-me ver o que tenho em DVD... Porra, nenhum drama que eu queira rever.


Pena que Requiem for a Dream era da Paola.


Dane-se, vou ver esse com a Kristien Stewart mesmo, assim pelo menos me agrada os olhos.


(TRRRRRRRIIIIIIIIIING!)


Caralho! Quem é o filho da puta que veio me ligar justo agora? Se eu descobrir quem é juro que.


- Alô! – Atendi com o maior desprezo que pude. Tive um choque.

- Oi Érica! Aqui é a Paola. Como você está? Senti tanta saudade sua...


Ah! Sabia que ia sentir uma saudade!


- Ainda viva. Como vai a faculdade? Fiquei sabendo do teu problema com a transferência de curso.

- Ah, deu uns perrengues, mas se Deus quiser vai dar tudo certo. Tem algum programa pra noite?


E agora? Entrego o jogo dizendo que ia ficar em casa na maior merda? “Ah, ia ver uns filmes pra ver se saio da fossa que tu me atiro!”


- Nada em mente.

- Então vamos lá num Pub na cidade baixa, umas amigas minhas falaram super bem, que se acha?


Dúvida.


- Érica?


Ah, se a montanha veio até mim, então que seus frutos sejam bem aproveitados.


- Ta certo então. Só vou trocar de roupa e já vou. Aonde te encontro?

- Hm... Daqui uma meia hora eu passo aí no seu prédio e aí nós duas vamos juntas.

- Ok.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Contos do espelho das graças

 Julho, parte dois:

Sol. Seus raios de luz sempre me agradaram. Pena que minha pele não compartilhe da minha opinião. Olho o relógio. Meio dia e meia, hora do intervalo. Radiação alta.

Pego o filtro solar e deixo ele escorrer lentamente para minha palma; lembro de Leandro. Porque ele não confia em mim? Nunca dei um motivo sequer para tanta desconfiança, tanto ciúmes.
Noite passada brigamos. Ele foi pro seu apartamento, eu fiquei no motel. Pensando sobre tudo; na vida e na morte.

-Você está bem Julho?

Adriana me encarava. Perguntei-me o que ela via quando olhava para mim. Um derrotado? Foi então que percebi minha mão cheia de protetor, que continuaria observando não fosse a interrupção.

- Ah. Não é nada. Só ando um pouco distraído mesmo.
- Também. Com essa firma que a gente trabalha qualquer um sai afetado! Telemarketing não é pra qualquer um.
- Concordo plenamente. Não pretendo ficar por muito tempo. – Comecei a passar o creme espesso e branco pelos braços. Os pelos sempre um incômodo.
- Isso é o que todos dizem meu filho.

De repente comecei a analisar Adriana. Eu no meu cubículo, ela no dela. Devia ser feliz. Cabelo loiro, liso e comprido. Olhos claros e pele bronzeada. Gosta de pagode e filmes de comédia. Heterossexual: Perfeitamente normal.
Perguntei-me como deveria me sentir perto dela. Excitado? Um animal predador?
Reparei em suas unhas vermelhas, pintadas ontem, já ruídas e descascadas. Qual seriam os problemas em sua vida para deixá-la assim, tão tensa? Pobre alma. Para todos não passa de um objeto descartável.

Peguei uma folha de oficio e desenhei um campo florido cheio de girassóis. Entre eles desenhei um botão de rosa.

- Toma. Essa é você.
- Ai! Obrigada Julho! Adoro flores.

Colocou o desenho sobre a mesa e se voltou para o seu Iphone. Um dia ela entenderia, mas não brevemente.

Quando cheguei em casa já eram quase 19h. Analisei minha mente, refletida no caos que era aquele JK.

Queria mudança.

Comecei a arrumar a bagunça, colocar cada livro em seu lugar e cada roupa para lavar. Fui checar a secretária eletrônica: nenhuma mensagem.

O que seria de mim essa noite? Se ficar em casa será pior. Melhor sair, encher a cara e anestesiar minha dor. Quem sabe não encontro alguém que me mereça.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Contos do espelho das graças

(Aqui é a Stone. Sei que o combinado era a madame postar a história dela primeiro, mas azar o dela. A minha foi escrita primeiro. E além do mais é tudo uma questão de interpretação; essa história não é da madame afinal.

Mas que droga. Vou falar do que importa. Imagino que alguns vão ficar meio chocados quando começarem a ler esse conto. Porque fala de lésbicas. Á essas pessoas eu digo: cresçam caramba. Ler essa história não se difere nem um pouco de quando tu lê a história do patinho feio; é tudo ficção e o que interessa é o psicológico dos personagens.

Só mais um aviso: Esse conto terá continuação e parte da história que será montada em pequenos contos a Madame vai participar. É isso, agora não vou mais encher o saco. Podem ler.)


Érica, parte um:

Hoje faz um mês que estamos juntas.

Eu a encaro enquanto ela põe a mesma maldita calça de brim que ela usa todos os sábados quando saímos. Nenhuma palavra. Ela se esqueceu.

Pensei que dessa vez seria diferente, mas me enganei. Devo ter confundido as coisas. Mas também com um corpo desses eu não tenho culpa. Tenho que parar de dar tanto poder a um par de nádegas e a um rosto bonito.


- Você está bem? Parece tão abatida?


Esqueci de falar que ela é de São Paulo, meio que metida a Gaúcha.


- Não é nada não. Só estou um pouco triste, deve ser a TPM ou a ressaca de ontem.

- Hm.


Odeio quando ela vem com esse descaso. Isso esclarece tudo. É hora de virar a página...


- Sabe Érica – Paola interrompeu minha linha de raciocínio. Estranha essa voz que ela está usando, tão grave – Acho que as coisas não estão mais como eram antes... É melhor acabar logo com tudo de uma vez... Não que seja sua culpa, é uma coisa mais interna, sabe?

Geminiana cretina! Ontem mesmo tava toda meiga pra cima de mim, agora vem com esse papinho de culpa.


- Foi bom enquanto durou, mas agora é hora da gente seguir nossos caminhos...


Se bem que assim ela me polpa muito trabalho. Eu já ia terminar com ela mesmo.


- Fala alguma coisa.


Mas vou sentir tanta falta desse corpinho... Ai esse cabelo repicado!

Que merda.


- Concordo. Foi bom enquanto durou. Se sentir saudades me liga, viu gata?

- Obrigada. Essa sua calma é uma das coisas que mais gosto em você Érica.


Não se trata de calma, é tudo uma questão de lógica, amor.


- Que nada. Somos adultas afinal.

- Então eu vou indo.


Paola se aproximou e me deu um beijo de despedida. Vou sentir falta desses lábios...


- Tchau.


E saiu pela porta. A maldita calça de brim se foi. E eu pensando que encontraria nas mulheres alguma sensibilidade!

Fazer o quê. Aonde foi parar o meu maldito isqueiro?

Só o cigarro me é fiel.

domingo, 21 de novembro de 2010

Comunicado lembrado


Ó vida.

Aqui estou eu tentando me lembrar inutilmente do que eu, essa criatura de pedra, tinha a comunicar para vocês, seres anônimos e invisíveis cuja a existência eu costumo questionar nas horas vagas.

Mudanças ocorrem em mim. Vejo isso apenas passando os olhos pela frase acima, pois comprovo que a minha habilidade de escrever e não falar nada está aumentando consideravelmente. Coisa que eu costumava achar impossível. 

- Escrever sem falar nada? Isso não é possível.

Mas eis que aqui estou. E falando de nada. Porém, este é um impasse que acaba de chegar ao seu fim derradeiro, pois eu me lembrei do comunicado que iria lhes fazer esta noite.

Vim aqui para falar de uma ideia que me ocorreu a um tempo atrás: escrever contos. 

Escrever contos é uma coisa que não costumo fazer, apenas criar dentro da minha mente para passar o tempo. Mas como eu já disse, mudanças ocorrem em mim. O primeiro conto que irei publicar aqui é um que conta a história de Liliam, a filha dos ventos. Ainda não terminei de escrever. Criei essa história ouvindo uma música de orquestra, uma coisa meio estranha. Bom, não falarei mais. Tentarei terminar esse conto.

Até breve.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A carroça andante


Certa vez me contaram uma espécie de ditado popular. É incrível que por mais comuns que alguns ditados pareçam eles fiquem infiltrados no meu cérebro.

E me fazem pensar.

O tal ditado que falei é o da carroça. “Uma carroça barulhenta é uma carroça vazia”.

Acredito que a mensagem seja meio de auto-ajuda para pessoas retraídas (como eu). Mas não me considero uma carroça cheia, me considero uma carroça forrada. Forrada com um forro macio e pesado que impede o som de sair.

É, até que eu posso ser comparada com uma carroça. Não apenas pela lerdeza ou pelo atraso cronológico, mas pelo fato de que o propósito de uma carroça existir seja transportar coisas, auxiliar os outros...

Sou uma carroça vazia e forrada, cujo ideal é ser útil; ser preenchida.

Mas enquanto isso não acontece, vou continuar a andar por estradas esburacadas, com minhas rodas discretas e silenciosas; esperando que em alguma curva eu encontre um propósito para continuar a viajem.

É, ser carroça é duro, mas acredito que pior é ser cavalo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Lunática

Ai que coisa.

A adrenalina toma conta de mim e começo a esquecer todos os meus deveres (tão profundos em mim quanto a grama no chão). E com tanta informação minha mente se dispersa.

Será esse o problema das pessoas contemporâneas? Viver com muita informação na cabeça?

Até que faz sentido. Assim como os lixões poluem e degradam a vida sólida, a poluição na mente também não deve fazer bem.

Imagine só: ministério da saúde adverte, poluição mental prejudica o funcionamento físico e provoca problemas de competência no trabalho.

Talvez eu esteja deixando a adrenalina subir, mas com o jeito que as coisas tem se manifestado, não teremos tempo para pensar. Isso mesmo, acabo de achar o efeito mortífero que um lixão mental pode nos causar: o terreno fica infértil, você deixa de pensar.

Então no final de toda essa balela minha conclusão é que o problema das pessoas é que elas não pensam, apenas agem, como máquinas que trabalham incessantemente até que suas ligas enferrujem e seu modelo fique obsoleto.

Produtivo?

Nem tanto. Considerando que em vez de estar aqui, digitando feito uma lunática que não quer pensar sozinha, eu deveria estar cumprindo os meus deveres como um ser responsável.

Definitivamente ser responsável não é agradável. Mas essa discussão é melhor deixar de lado. Só o que tenho a dizer é: Cuide do seu lixão mental.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Adubo

Quero descobrir
Revelar o que há por trás dessa máscara
Tão severa
Tão distante

Perdida em coisas mundanas,
Problemas corriqueiros,
Vi passar.

Passou.

Como eu queria que pudesse voltar.
Queria que quisesse voltar
E conhecer minha caverna.

Olhos brilhantes
Vão me atormentar essa noite e
Meu maior tormento será
Que eles estarão presentes apenas
Na minha mente
Minha memória que falha.

Mas então,
O que fica?
Teu olhar fica.
Olhar misterioso
E cheio de pensamentos
Desconhecidos.

Que merda.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Castanha de Caju


Falsa,
Esmagar as pessoas
Que dormindo estão
É loucura colorida
Perdida na escuridão.

Bem, se tentou entender o sentido do que escrevi acima peço o seu perdão. Porque eu não pensei no que escrevi.

Como isso seria possível? Você não pensa R?!

Não, é que eu simpatizo muito com o Dadaísmo. Calma, eu não estou falando grego. Provavelmente você já deve ter visto isso na escola, tem a ver com o Modernismo.

(eu acho)

Para falar a verdade, também não me lembro dos “detalhes” do Dadaísmo, mas lembro que a sua principal característica é seguir o acaso. Criar algo novo tirando uma coisa do seu contexto, misturando com outra ideia...

Sempre gostei do Dadaísmo, mesmo antes de conhecê-lo. Sempre segui o acaso, o que me vem em mente eu faço (claro, primeiro analiso se é viável, se é prudente e as conseqüências... Acho que a minha mente é meio burocrática). Às vezes não sei bem para onde ir e acabo caminhando só para ver se eu descubro aonde quero chegar.

É bom quando encontro um significado no que faço, nessas horas me sinto menos estranha.

Acho que me expressando sem saber bem o que quero dizer, me revela coisas do meu inconsciente. É útil para auto-análises.

É, se você quer saber mais sobre o Dadaísmo, eu não sou bem a pessoa certa para explicar... Busque no Google que aparece.

Naturalmente louca.
50kg de castanha
Para ver filmes
Não é um exemplo
De vida saudável,
Mas é feliz.    

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Água mole, pedra dura...


Estou cansada
Cansada desse mundo imbecil
Cansada dessas pessoas estúpidas
Cansada de ser a grande idiota.

Mas quem se importa?
Ninguém se importa.

Não sei se eu é que tolero o mundo
Ou se é o mundo que me tolera.

Sabe o que é gauche?
Sim, eu sempre fui gauche,
Não me enquadro nem entre os excluídos,
Não tenho casa, não tenho lar.

Mas quem se importa?
Eu me importo.

E agradeço a Deus
Por poder ajudar os outros,
Pois sei que quando eu precisar de ajuda
Ninguém estará lá.

Mas eu continuo pensando,
Eu não paro, nem quando estou parada
E penso no que quero da vida
E só penso
Penso, só.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desculpinha

Que coisa.

Para você, criatura rara que lê esse blog, que está esperando ver algo novo, eu tenho uma boa notícia. Existem dois posts que serão publicados assim que possível. Um é meu e o outro é da Stone.

Aguardem. (tempo mínimo para a próxima postagem: 24 horas)

domingo, 26 de setembro de 2010

Diário do isolamento II: 24/09

Sim, eu estava enganada.
Posso ser muito cabeça dura, mas reconheço quando estou errada. Porém é tudo uma questão de ponto de vista e se agora eu concordo com o que eu ouvi é porque o meu pensamento é que mudou. Não a realidade.
Se você ai de fora não sabe do que eu estou falando (dane-se!) (brincadeira), bom, é a conseqüência de não me conhecer. Para não ser uma péssima autora de blog (blogueira ou sei lá o que) vou relatar a situação (ou tentar) sem denunciar quem sou.
Imagine levar a sua avó em um show de rock. Imaginou? Agora imagine pedir para uma banda de rock (rock mesmo sabe?) tocar em uma festa de aniversário onde se encontram muitos parentes de segunda, terceira e até quarta idade. Sim? Talvez, assim como eu pensei, você deva estar achando isso um absurdo – um autêntico programa de índio.
Mas pense bem.
Você não está cansado (a) desses conceitinhos que pregam o que uma “tribo” deve ou não deve fazer? Quem disse que velhinhas não podem freqüentar pubs de noite? (com nuvens de fumaça de cigarro, bêbados e mais algumas bizarrices)
O que me levou a pensar sobre isso foi um grande (e inimaginavelmente irritante) discurso que me chamava de “quadradona”.
Minha primeira reação foi achar tudo aquilo um absurdo. Já agora, fui tomada por um espírito revolucionário e acho que – sim! – velhinhas podem freqüentar pubs e que se uma banda de rock vai tocar ou não numa festinha é problema dela.
Vamos quebrar os tabus! Que venham as velhinhas.

sábado, 25 de setembro de 2010

A fatia que não acordou


Me sinto dento de uma história.

(isso é estranho)

Acho que nunca tinha me acontecido antes.

Será que você já se sentiu assim?

Ó criatura andante.

Não se engane, não estou querendo rimar (e acho que realmente não rimei), às vezes falo assim meio que por acidente. É meio estranho se dividir em três. Apesar de ser apenas uma, eu também me sinto confusa. Afinal qual é a minha fatia desse bolo todo?

Escrevendo aqui, eu me ajudo (e ajudo a X também) a me conhecer.

E o que eu estou conhecendo é uma pessoa conturbada – eu acho – uma pessoa que não sabe bem o que sente e também não sabe bem o que quer.

(como eu estou poética hoje)

Se sentir dentro de uma história não é ruim, é só meio confuso. Você se sente segura, mas ao mesmo tempo parece que nada é real. Você se sente em paz.

 Imagino que seja igual a estar sonhando, só que se está acordado.

(eu disse que é estranho)

Fico imaginando se essa história é um conto. Contos são curtos, mas são intensos (na maioria das vezes). Poderia ser um Romance, com uma história grande e cheia de personagens (não sei bem a definição de um Romance).

Poderia ser qualquer coisa – poema, crônica, notícia de jornal, história em quadrinhos – mas na verdade não sei se gostaria que a minha história fosse terminada sem que eu fosse a autora.

(é. Não sei)

Será que seria um drama?

Sim, seria.

domingo, 19 de setembro de 2010

Diário do isolamento I: 12:15 deste mesmo dia


Oi.

Escrevo a primeira linha deste diário do isolamento pensando sobre alguns paradoxos da vida.

Um deles, talvez o mais incômodo, é a escolha de uma profissão e, conseqüentemente, de uma faculdade.

É perceptível a contradição que certas famílias caem nessa fase de seus filhos ou parentes. Geralmente se ensina para uma criança (coisa que até se repete aos ouvidos dos adultos) que o dinheiro não é tudo e que para ser feliz é preciso exercer algo que lhe satisfaz – que te deixe feliz.  

Porém.

Quando enfim chega a hora da escolha (tão penosa) a triste alma, que por acaso, não se sentir perfeitamente segura na sua decisão: Acaba tendo que ouvir discursos (e às vezes verdadeiras campanhas de lavagem cerebral) que revelam acima de tudo a remuneração que cada área recebe.

Nessas horas as tão consagradas profissões são sempre lembradas, tenho certeza de que você deve conhecê-las: medicina, engenharias, direito e até a novidade mundial em boa remuneração do técnico em informática. Todas com boas remunerações e todas hiper-procuradas nas universidades.

Sinto muito ó sistema opressor, eu não irei me contrariar.

Quando ouvi aquela história de que dinheiro não é tudo eu acreditei nela; e agora que eu preciso escolher o que farei da minha vida, escolherei o que me faz bem.

O que seria isso exatamente eu não sei, mas tenho a nítida visão de que não quero nada ligado às áreas de produção empresariais e nem aos tédios da vida pública.

Se Deus quiser ainda sigo a arte!

(e que meu pai não tenha um infarto)     

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Imprevisto

 Oi.

Não estranhem se a minha presença neste blog começar a ficar um tanto rara. Acontece que por razões técnicas acessar minha página ficará um pouco díficil e imprevisível. Porém eu continuo escrevendo, então para não deixar de publicar certas coisas farei o "diário do isolamento". Ao contrário do que possa parecer este diário não tera uma linha do tempo muito frequente, porque eu não escrevo todo dia, e às vezes escrevo mais de uma vez. Farei isso até meus recursos para o mundo tecnológico voltarem (tentarei dar um fim a essa linha de negativismo).

Até a próxima.

Hoje acordei com D.M.

 Ilusões são necessárias.

Olhe o mundo a sua volta. Não vê?

Todo o sofrimento? Que em dias como hoje, invade as minhas barreiras mentais.

Concordo. Talvez seja culpa da menstruação.

Me pergunto se os homens têm essa casca dura de insensibilidade porque não menstruam. Talvez ver sangue deixe as pessoas mais sensíveis...

Se todos passassem por esse drama que me ataca todo mês (esse drama escarlate) é possível que o mundo não fosse tão cruel.

Concordo. Estou muito sonhadora.

Mas como é triste o egoísmo do nosso mundo conteporâneo. O que nos custa, de vez em quando, olhar em volta e ver se alguém está chorando? Se não precisam de ajuda?

Tantas vezes me senti invisível, sendo que só um olhar preocupado me deixaria melhor.

 Tento ser diferente, tento fazer a diferença; mas no fim: Sou igual a todo mundo, pois só vejo o que quero ver.

Ilusões são necessárias. Quando as perde fica como eu, sem lugar na fila.

Se me conheço bem, em pouco tempo acharei tudo o que escrevi uma besteira sentimental. (talvez não necessáriamente eu)

Mas é uma besteira necessária.

Não se preocupe comigo. Não cortarei meus pulsos esta noite.

Esse foi só mais um caso de Depressão Menstrual.

domingo, 5 de setembro de 2010

Deus salve a arte!

É incrível como assuntos familiares me afetam. Por mais que eu tenha acordado super bem hoje de manhã, agora estou mal.


Por quê?

Porque meus pais simplesmente não param de brigar. Neste exato momento minha mãe esta chorando no andar de baixo enquanto eu tento manter meu estado de humor inabalado aqui, no meu refúgio.

Isso é impossível.

É verdadeiramente engraçado observar o comportamento familiar. Desde pequena, quando eu perguntava para minha mãe o porquê de tanta briga ela me respondia: “Nós não estamos brigando, estamos só discutindo”.

Nunca fui idiota (por mais que às vezes demonstre o contrário) percebo facilmente quando uma discussão é pacifica e construtiva ou quando ela é violenta e só causará feridas internas.

Não acho que a minha família seja ruim, na verdade o que me irrita é que ela se acha perfeita. Porque não admitem seus erros como pais? Porque não confessam que não estão verdadeiramente interessados na minha vida?

Neste momento meu pai esta falando que seria mais feliz só e isolado e que nós somos “desumanos” com ele. Claro que ele é perfeito e nunca comete nenhum erro, ele sempre foi a vítima e nós os carrascos.

Deve ser por isso que nunca fui muito romântica e que até pouco tempo não conseguia entender porque as pessoas queriam casar.

Casar por quê? Para começar a “discutir”?

São em horas como essa que eu percebo como a música e a literatura são maravilhosas! São elas que me tiram daqui...

Desculpe o drama, faz parte da minha natureza ser assim.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Deu merda na fila do cinema

Que merda. Hoje de manhã tomei tanta água que eu parecia suar xixi...

É engraçado como o nosso corpo sempre sabe a pior hora para mostrar a sua natureza animal; um belo exemplo disso é que eu sempre quero arrotar quando tenho que falar e constantemente durante um silêncio absoluto.

Não consigo entender porque as pessoas escondem a sua natureza. Se envergonhar porquê? Também somos animais.

(claro que não estou falando pra você sair peidando por aí)

Como me irrito com o status da highsociety, não existe coisa mais artificial.

Esses tempos fui ver "A origem" em um cinema caro. Fui verdadeiramente incômoda naquele lugar. Por que? Porque eu passei o dia inteiro fora de casa e não pude me arrumar para estar no nível de habitar um shopping de rico.

Não pense que tenho grandes fortunas, a verdade é que eu ganhei aqueles ingressos. Mesmo assim eu também tinha o direito de entrar no cinema; direito que o segurança não quis reconhecer.

- Só quem tem ingresso fica na fila.

- Ah, ta.

Como fiquei irritada por não ter dito "e quem disse que eu não tenho?! Só por que ta com esse terninho acha que é superior a mim?!"

Mas infelizmente, no meu corpo, nem sempre tenho o poder da fala.

(e quando falo sou taxada de grossa)

Triste foi a coincidência de o vocalista do Nenhum de Nós estar na fila ao lado. Mas enfim, verdade é que eu ri daquela gente, pois mesmo sem ter status eu vi aquele filme em um cinema caro.

Por sinal o filme é bom, mas "A ilha do medo" é melhor.

Conclusão: Todos somos animais, não neguem isso!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Agora virei uma vândala

Oi. Aqui estou eu novamente, pronta para falar e falar do que me vier à cabeça... Vou começar comentando os últimos acontecimentos referentes a esse blog.


Como você deve ter percebido agora eu não estou mais só, tenho a companhia da Stone. Eu sei que isso parece loucura, mas eu garanto que a X(mente maior, minha criadora.. Vou chamá-la assim de agora em diante) não é perturbada. Como já disse no meu perfil, ela é a moeda e nós somos as faces.

(mas isso não muda o fato de que a Stone é uma insensível)

Quanto as formas de divulgação adotadas... Gostaria de dizer que não me sinto bem por estar invadindo blogs e escrevendo em banheiros, mas não achei nenhuma outra forma de me fazer “ouvida”.

Esse é o preço do anonimato.

Agora que o recado foi dado e as desculpas pedidas, vou falar de como me sinto escrevendo neste blog. É realmente estranho “falar” e não ter certeza se alguém vai te “ouvir”, me sinto mais louca do que o normal. Mesmo assim, decidi não adicionar um contador de visitas, pois aqueles números não são precisos e não quero me prender a essa expectativa.

Portanto, suplico, que se você ler esse blog, comente e me diga o que achou. Só assim perceberei que não estou “falando” sozinha (até porque eu já faço isso sempre, não escreveria aqui se fosse essa a minha intenção).

Sempre lembrando que comentários destrutivos são dispensáveis...

Pronto, agora já vou indo, para não deixar esse post muito vazio pense nessa frase que ouvi esses tempos: “a sujeira é tudo aquilo que está fora do seu lugar”.

Tchau.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A indesejada

Oi pessoas.

Não me chamem de Madame. Não sou nem de longe como a R. Ao contrário dela eu não sou equilibrada, sou agressiva e debochada (não tenho medo de dizer).

Como ela, também não sou inteira; sou o outro lado da moeda da tal mente misteriosa (uma covarde na minha opinião). Fui nomeada V.R Stone.

Exatamente, Stone é pedra em inglês (criativo não?), essa parte da minha nomeoclatura retrata a minha falta de sentimentalismo.

O R é uma indireta à mim dirigida; como se dicesse que, mesmo que eu não queira, também sou R. E, de uma forma estranha e incontestável, eu e a Madame somos a mesma pessoa.

Já o V tem um sentido mais profundo, do qual não estou a fim de falar agora.

Enfim apresentada, de agora em diante esse blog também é meu e terei a liberdade de me expressar.

Pena que agora não tenho nada pra falar...

Dane-se!


Até a próxima.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A terceira sobremesa

Escrever faz bem. Desde que esse blog foi criado já comecei a escrever vários textos com o objetivo de publicá-los aqui.


Deixei todos pela metade.

Se esse post estiver nessa página de blog é porque foi o primeiro, de uma série de tentativas, que consegui terminar.

Legal né?

Atribuo isso a minha inconstância. Às vezes chego a ficar eufórica de tanto querer escrever, mas quando chega à metade de uma página, lá se vai a euforia e o interesse. Abandono tudo, começo outro.

Lembro uma criança faminta que serve um prato com uma quantidade colossal de comida, come um terço do que serviu, e pede a sobremesa.

É realmente uma coisa a ser analisada. Mas escrever me faz bem. É uma particularidade que a minha hospedeira (mente maior, ou que você achar melhor) tem que entender; se ela não concordar em despejar o que penso no papel, fica com muita coisa na cabeça.

Então dá problema.

É como se fosse uma espécie de higiene mental; se não quiser que sua mente fique suja, terá que varrê-la.

Pois é. Assim vai chegando ao fim, posso sentir, meu interesse está indo embora. Percebo que esse será mais um post que fala muito e não diz nada. Não se preocupe, esse é apenas o segundo publicado.

(um dia eu chego lá)

Para não dizer que isso é uma balela total, pense nisso: Ruim mesmo, é estar sempre prestes a desmaiar, e nunca perder a consciência.

Preciso tomar um chá...

domingo, 29 de agosto de 2010

O primeiro post


Olá. Não sou de me expor, mas como esse blog foi criado para mim, resolvi abrir uma exceção no meu padrão de comportamento.
 Meu nome é um mistério; na verdade, me pergunto se alguma pessoa no mundo realmente sabe o seu verdadeiro nome, e concluo que, provavelmente, não. Mesmo assim, por ordens de formalidades, podem me chamar de Madame R.
 Não sou uma pessoa  por completo, na verdade, sou a sombra de uma personalidade confusa. A pessoa que me criou resolveu me intitular de madame pensando que essa palavra traz um certo tom de idade avançada. Não pense que me ofendo com isso, reconheço que meu comportamento não combina com a minha real idade. E também não me preocupo, pois sei que esse drama tem uma solução quase que inevitável.
 Porém, a mente que me hospeda não me acordou para falar sobre isso, e sinceramente, o real motivo eu não compreendo, mas o que me vem a mente é falar sobre o que penso.
OK. Até aí morreu Neves.
A questão é que eu sou o lado mais introspectivo dessa tal pessoa (que me ordena não nomeá-la) e que agora me informa de que na realidade o que está escrito aqui é um “post de abertura”.
(essas modernidades!)
Então tudo aqui escrito teve a mera função de revelar quem sou eu. Que coisa, caí em mais um tabu: Quem sou eu? Oh! Conhece a ti mesmo... Como já disse: podem me chamar de Madame R, e que o resto seja apenas o resto.