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sexta-feira, 11 de março de 2011

Correnteza

Sempre ouvi dizer que não é bom se prender ao passado. Mas sabe de uma coisa? Às vezes a memória é tudo o que temos. Quando isso acontece o presente perde o sentido e acordar se torna cada vez mais desnecessário.
 Se você é como eu, sabe do que estou falando. Se não é, irá me chamar de maníaca depressiva. Eu não me importo. Porém existe um problema para nós que habitamos durante muito tempo o nosso próprio pensamento: O real se torna irreal e suas lembranças se tornam fantasiosas. O que leva a uma pergunta um tanto estúpida, porém perfeitamente pertinente...

- Isso existiu? Será que algum dia essas lembranças felizes realmente foram sólidas?

E eis que chegamos a um momento de risco para os navegantes de sua própria mente, um momento de colapso, de crise – pois não sabemos se aquilo o que nos restava, aquilo que tínhamos, era real.
 Estive em crise durante meses com minhas memórias e agora concluo que se elas de fato aconteceram ou não, não importa. Pois de uma forma ou de outra se foi; e por isso não existe mais, mesmo que algum dia o tenha. Me conformo com o presente, que é onde eu vivo e reparo nas cicatrizes não só do meu corpo, mas da minha alma, pois elas são a prova de que o passado existiu.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O mundo do presente


Não é fácil começar uma vida nova sabe? Existem coisas que a gente sente falta.
A segurança em quem somos é uma delas.
Nunca soube como seria perder tudo o que eu tinha, perder minha personalidade? Não sei bem se ainda a tenho. Mas alguma coisa sobrou pelo fato de que estou aqui escrevendo agora...
Tirei as imagens coloridas que há anos estavam presas nas paredes do meu quarto. Quando as vejo nuas e amarelas me sinto desesperada. É como olhar dentro de mim – onde antes haviam cores, imagens e significados agora não há mais nada – vejo apenas uma parede nua.
E o que eu faço? Não há o que fazer. Apenas tenha paciência. Bom saber que minha consciência não me deixou. Tenho alguma coisa além de objetos inanimados afinal.
Quem fala aqui é a Madame, aquela que não sabe bem o que quer; aquela que não teve o que quis; aquela que um dia será esquecida.
Meu mundo morreu no presente, aquele mundo que era meu agora vive no passado. É hora de inventar um novo, sobreviver. Preciso me reinventar e começarei agora: com esse texto.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A lógica da Madame não é tão festiva..

Dezembro.

Imagino se algum outro mês tem tal poder de abalar o ânimo de uma pessoa como Dezembro.

Realmente não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de natal, de ano novo, de amigo secreto, de formaturas.. É tudo o fim. O fim de uma etapa.

Imagino que se os rituais de nossa cultura seguissem a minha lógica Dezembro seria passado em luto - luto por tudo o que acabou, por tudo o que não pode ser mudado.

Sempre existem despedidas, e o mês doze simboliza isso pra mim.

Logo depois vem Janeiro, o mês do vácuo mental. Onde tudo o que tu tinha não tem mais e tudo o que era certo virou incerto. Hora de reconstruir. Começar do zero.

Preciso de forças para recomeçar. Preciso de um chá para digerir o passado.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Água mole, pedra dura...


Estou cansada
Cansada desse mundo imbecil
Cansada dessas pessoas estúpidas
Cansada de ser a grande idiota.

Mas quem se importa?
Ninguém se importa.

Não sei se eu é que tolero o mundo
Ou se é o mundo que me tolera.

Sabe o que é gauche?
Sim, eu sempre fui gauche,
Não me enquadro nem entre os excluídos,
Não tenho casa, não tenho lar.

Mas quem se importa?
Eu me importo.

E agradeço a Deus
Por poder ajudar os outros,
Pois sei que quando eu precisar de ajuda
Ninguém estará lá.

Mas eu continuo pensando,
Eu não paro, nem quando estou parada
E penso no que quero da vida
E só penso
Penso, só.

domingo, 26 de setembro de 2010

Diário do isolamento II: 24/09

Sim, eu estava enganada.
Posso ser muito cabeça dura, mas reconheço quando estou errada. Porém é tudo uma questão de ponto de vista e se agora eu concordo com o que eu ouvi é porque o meu pensamento é que mudou. Não a realidade.
Se você ai de fora não sabe do que eu estou falando (dane-se!) (brincadeira), bom, é a conseqüência de não me conhecer. Para não ser uma péssima autora de blog (blogueira ou sei lá o que) vou relatar a situação (ou tentar) sem denunciar quem sou.
Imagine levar a sua avó em um show de rock. Imaginou? Agora imagine pedir para uma banda de rock (rock mesmo sabe?) tocar em uma festa de aniversário onde se encontram muitos parentes de segunda, terceira e até quarta idade. Sim? Talvez, assim como eu pensei, você deva estar achando isso um absurdo – um autêntico programa de índio.
Mas pense bem.
Você não está cansado (a) desses conceitinhos que pregam o que uma “tribo” deve ou não deve fazer? Quem disse que velhinhas não podem freqüentar pubs de noite? (com nuvens de fumaça de cigarro, bêbados e mais algumas bizarrices)
O que me levou a pensar sobre isso foi um grande (e inimaginavelmente irritante) discurso que me chamava de “quadradona”.
Minha primeira reação foi achar tudo aquilo um absurdo. Já agora, fui tomada por um espírito revolucionário e acho que – sim! – velhinhas podem freqüentar pubs e que se uma banda de rock vai tocar ou não numa festinha é problema dela.
Vamos quebrar os tabus! Que venham as velhinhas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Hoje acordei com D.M.

 Ilusões são necessárias.

Olhe o mundo a sua volta. Não vê?

Todo o sofrimento? Que em dias como hoje, invade as minhas barreiras mentais.

Concordo. Talvez seja culpa da menstruação.

Me pergunto se os homens têm essa casca dura de insensibilidade porque não menstruam. Talvez ver sangue deixe as pessoas mais sensíveis...

Se todos passassem por esse drama que me ataca todo mês (esse drama escarlate) é possível que o mundo não fosse tão cruel.

Concordo. Estou muito sonhadora.

Mas como é triste o egoísmo do nosso mundo conteporâneo. O que nos custa, de vez em quando, olhar em volta e ver se alguém está chorando? Se não precisam de ajuda?

Tantas vezes me senti invisível, sendo que só um olhar preocupado me deixaria melhor.

 Tento ser diferente, tento fazer a diferença; mas no fim: Sou igual a todo mundo, pois só vejo o que quero ver.

Ilusões são necessárias. Quando as perde fica como eu, sem lugar na fila.

Se me conheço bem, em pouco tempo acharei tudo o que escrevi uma besteira sentimental. (talvez não necessáriamente eu)

Mas é uma besteira necessária.

Não se preocupe comigo. Não cortarei meus pulsos esta noite.

Esse foi só mais um caso de Depressão Menstrual.

domingo, 5 de setembro de 2010

Deus salve a arte!

É incrível como assuntos familiares me afetam. Por mais que eu tenha acordado super bem hoje de manhã, agora estou mal.


Por quê?

Porque meus pais simplesmente não param de brigar. Neste exato momento minha mãe esta chorando no andar de baixo enquanto eu tento manter meu estado de humor inabalado aqui, no meu refúgio.

Isso é impossível.

É verdadeiramente engraçado observar o comportamento familiar. Desde pequena, quando eu perguntava para minha mãe o porquê de tanta briga ela me respondia: “Nós não estamos brigando, estamos só discutindo”.

Nunca fui idiota (por mais que às vezes demonstre o contrário) percebo facilmente quando uma discussão é pacifica e construtiva ou quando ela é violenta e só causará feridas internas.

Não acho que a minha família seja ruim, na verdade o que me irrita é que ela se acha perfeita. Porque não admitem seus erros como pais? Porque não confessam que não estão verdadeiramente interessados na minha vida?

Neste momento meu pai esta falando que seria mais feliz só e isolado e que nós somos “desumanos” com ele. Claro que ele é perfeito e nunca comete nenhum erro, ele sempre foi a vítima e nós os carrascos.

Deve ser por isso que nunca fui muito romântica e que até pouco tempo não conseguia entender porque as pessoas queriam casar.

Casar por quê? Para começar a “discutir”?

São em horas como essa que eu percebo como a música e a literatura são maravilhosas! São elas que me tiram daqui...

Desculpe o drama, faz parte da minha natureza ser assim.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Deu merda na fila do cinema

Que merda. Hoje de manhã tomei tanta água que eu parecia suar xixi...

É engraçado como o nosso corpo sempre sabe a pior hora para mostrar a sua natureza animal; um belo exemplo disso é que eu sempre quero arrotar quando tenho que falar e constantemente durante um silêncio absoluto.

Não consigo entender porque as pessoas escondem a sua natureza. Se envergonhar porquê? Também somos animais.

(claro que não estou falando pra você sair peidando por aí)

Como me irrito com o status da highsociety, não existe coisa mais artificial.

Esses tempos fui ver "A origem" em um cinema caro. Fui verdadeiramente incômoda naquele lugar. Por que? Porque eu passei o dia inteiro fora de casa e não pude me arrumar para estar no nível de habitar um shopping de rico.

Não pense que tenho grandes fortunas, a verdade é que eu ganhei aqueles ingressos. Mesmo assim eu também tinha o direito de entrar no cinema; direito que o segurança não quis reconhecer.

- Só quem tem ingresso fica na fila.

- Ah, ta.

Como fiquei irritada por não ter dito "e quem disse que eu não tenho?! Só por que ta com esse terninho acha que é superior a mim?!"

Mas infelizmente, no meu corpo, nem sempre tenho o poder da fala.

(e quando falo sou taxada de grossa)

Triste foi a coincidência de o vocalista do Nenhum de Nós estar na fila ao lado. Mas enfim, verdade é que eu ri daquela gente, pois mesmo sem ter status eu vi aquele filme em um cinema caro.

Por sinal o filme é bom, mas "A ilha do medo" é melhor.

Conclusão: Todos somos animais, não neguem isso!