Sempre ouvi dizer que não é bom se prender ao passado. Mas sabe de uma coisa? Às vezes a memória é tudo o que temos. Quando isso acontece o presente perde o sentido e acordar se torna cada vez mais desnecessário.
Se você é como eu, sabe do que estou falando. Se não é, irá me chamar de maníaca depressiva. Eu não me importo. Porém existe um problema para nós que habitamos durante muito tempo o nosso próprio pensamento: O real se torna irreal e suas lembranças se tornam fantasiosas. O que leva a uma pergunta um tanto estúpida, porém perfeitamente pertinente...
- Isso existiu? Será que algum dia essas lembranças felizes realmente foram sólidas?
E eis que chegamos a um momento de risco para os navegantes de sua própria mente, um momento de colapso, de crise – pois não sabemos se aquilo o que nos restava, aquilo que tínhamos, era real.
Estive em crise durante meses com minhas memórias e agora concluo que se elas de fato aconteceram ou não, não importa. Pois de uma forma ou de outra se foi; e por isso não existe mais, mesmo que algum dia o tenha. Me conformo com o presente, que é onde eu vivo e reparo nas cicatrizes não só do meu corpo, mas da minha alma, pois elas são a prova de que o passado existiu.