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terça-feira, 15 de maio de 2012

Âmago

Sobre verdades me debruço e choro
E com as lágrimas sinto o gosto da terra
Anunciando o óbito sorrateiro,
Aquele que me consome pouco a pouco
Como um tumor, que não abita a carne e sim a alma.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As Eternas Geleiras

Nessas novas geleiras
Em que me ponho a pensar
Reflito o porquê, de tanto pesar.
As geleiras! As novas geleiras!
Parecem mais eternas do que qualquer geleira.
Não há neve, nem frio, mas sim geleira.
Sem flocos de neve, apenas água salgada.
Tão solitária, tão colossal, e – por deus! – tão eterna!
Sonha o sonho dos outros, sente o amor de outros,
E ri; de outras piadas como se fossem suas.
Mas ainda assim,
É simples gelo: acumulado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vultos

Existem fantasmas no meu passado difíceis de esquecer
Fantasmas que volta e meia voltam para atormentar,
E para eles respondo "Não mais, não mais"
O silêncio é o melhor discurso e o tempo
É o remédio mais aguardado.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ensaio sobre o indivíduo absoluto

Dentre todos os mundos
O que melhor conheço é o meu
E entre todas as lembranças a que mais me marcou
Foi aquela faz pouco tempo

Efemeridade - entendo bem
Eternidade me soa estranho

A pior das dores é a minha
O pior dos medos – com certeza! – é o meu
E quando me falas
Das tuas terríveis dores
Dos teus piores medos
Ouço nitidamente o riso do desdém,
E sinto novamente os pingos gélidos da estranheza.

Rio de ti, de renome errado, de risos rasgados, de clareza escura, que de bico calado é mais digno de pena do que pena sem galinha
Não insista!

A pessoa mais sensitiva sou eu
E a verdade mais verdadeira, a minha
Pois a ti, meu caro semelhante,
Resta apenas à metafísica.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Casa de fundição

Momento inóspito  da mente
Aquele em que tento inaugurar
Uma coisa que recentemente
Obrigo-me a aceitar.

Rimas, o que são rimas?
Aquelas coisas que se vê por aí
Reflexo de um passado em Minas
Da resignação do Andaraí.

Me culpo, me julgo
E erro na expressão
Corrijo-me e sinto novamente a resignação

Das rimas tortas
Se fez o bolo
No qual me fundo na contradição.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Engaiolada

E se os pássaros falassem?
O que diriam eles
De seres tão terrestres?

Será que gostariam de ter mãos e pés,
Assim como nós,
Que almejamos em cada bater de asas a liberdade?

Não.
São livres
Do pensamento
São livres
Para voar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Caninos

Fome que corrói.
Meus dentes afiados incorporando uma fera,
Nos caninos a fúria de um leão.

Ainda fosse apenas fome.
Quando a mente está bem o corpo aguenta, mas não
A decepção me presenteia com essa raiva aguda.

Quero despedaçar, dilacerar
Quero morder! Arrancar aos pedaços a injustiça,
Apaziguar minhas chamas.

Pensei que estaria sempre ao meu lado,
Que se preocupava.
Sinceramente
Eu esperava mais.

De você, de mim
Do mundo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Exaustão

 A cabeça ferve,
 Terei eu pensado demais?
 Não sei.
 Tudo o que sei é que cansei
 Cansei de estar cercada
 Cansei de tentar entender.
 Descansarei.
 Que o mundo gire sozinho
 E me deixe parar.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No Brilho dos Olhos

 Triste é perceber que não te amam
 Que aqueles que deveriam fazê-lo
 Vêem isso como um peso,
 Um compromisso que prefeririam não ter. E seriam mais felizes sem.

 Triste é ter que fingir
 Que não percebe nos olhares
 A reprovação
 E a saudade incômoda de
 Uma inocência da qual todos ajudaram a matar.

 Triste é saber que ela não morreu,
 Mas que no brilho dos olhos sínicos
 Só existe a cegueira.

 Antes adotem outra criança
 Dêem meu nome a outra gente,
 Mas não finjam que me amam.

É tão triste reprovar essa mentira.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

À la carte


A vida é um rodízio.
Onde massas boas e ruins se misturam
E quando chega a sua hora não tem mais jeito
A sua escolha irá moldar um novo mundo, uma nova dimensão
E tudo o que você tem terá que deixar ir, deixar seguir o seu rumo
Ou a sua degradação
Pois em um rodízio é sempre um depois o outro,
A sua vez também terá que passar.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Entre paredes

Meu nome é ninguém.
Aquela que não esteve
Aquela que não fez
Aquela que não é.
Mas se existo
É porque algo sou
E se algo sou
Não posso ser nada
Pois para ser nada
Você não pode ser alguém.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Louco


Eis que aqui estou
Isolada, cortada, fora dos planos
Novamente
Quais minhas opções?
As horas se repetem, entram em capicuas
Escolher não é uma opção
Se fosse
Meu sentido em estar viva
Não seria meramente ficção

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Like a joke

E quem decide o seu futuro.
Sou eu?
É ele?
Quem mais poderia ser
Senão quem faz seus pulmões se mover, seu coração bater...
Quem decide ninguém mostrará
E embora muitos tentem impedir
Uma hora quem sabe, você também saberá.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Adubo

Quero descobrir
Revelar o que há por trás dessa máscara
Tão severa
Tão distante

Perdida em coisas mundanas,
Problemas corriqueiros,
Vi passar.

Passou.

Como eu queria que pudesse voltar.
Queria que quisesse voltar
E conhecer minha caverna.

Olhos brilhantes
Vão me atormentar essa noite e
Meu maior tormento será
Que eles estarão presentes apenas
Na minha mente
Minha memória que falha.

Mas então,
O que fica?
Teu olhar fica.
Olhar misterioso
E cheio de pensamentos
Desconhecidos.

Que merda.