sábado, 18 de dezembro de 2010

A lógica da Madame não é tão festiva..

Dezembro.

Imagino se algum outro mês tem tal poder de abalar o ânimo de uma pessoa como Dezembro.

Realmente não consigo entender porque as pessoas gostam tanto de natal, de ano novo, de amigo secreto, de formaturas.. É tudo o fim. O fim de uma etapa.

Imagino que se os rituais de nossa cultura seguissem a minha lógica Dezembro seria passado em luto - luto por tudo o que acabou, por tudo o que não pode ser mudado.

Sempre existem despedidas, e o mês doze simboliza isso pra mim.

Logo depois vem Janeiro, o mês do vácuo mental. Onde tudo o que tu tinha não tem mais e tudo o que era certo virou incerto. Hora de reconstruir. Começar do zero.

Preciso de forças para recomeçar. Preciso de um chá para digerir o passado.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Contos do espelho das graças


LH, parte quatro

Meu nome é Julho.

Com LH mesmo: J-U-L-H-O. Até hoje todos quando vêem meu nome escrito em algum lugar comentam “Olha, escreveram o teu nome errado”. E então eu começo a recitar aquela explicação elaborada e decorada faz anos.

“Não está errado, é assim mesmo que se escreve. Em homenagem ao mês de Julho, que não foi quando eu nasci, mas foi quando meu pai morreu”. Nessas horas alguns ainda demonstram algum tipo de pesar – mais por educação do que por comoção – e outros expressam todo o seu sentimento com um simples “hm”.

 Sou órfão  de pai. Já me acostumei com isso. Às vezes penso se não foi melhor assim; segundo minha mãe – vítima do câncer já faz três anos – ele era uma pessoa muito conservadora e teria me renegado. Sendo assim, mesmo que ele não tivesse morrido em um acidente de carro no meu quinto mês de gestação, hoje eu ainda não teria um pai.

Não guardo mágoas de minha mãe. Mesmo que no dia em que me assumi gay ela tenha me expulsado de 
casa. Verdade é que eu a amo muito e que no fim fizemos às pazes.

Pena que tenha sido dentro de um quarto de hospital...

Normalmente eu sei lidar com a saudade, mas quando a solidão me sufoca eu venho pra cá, na Redenção. Fico sentado na beira do lago, admirando as pessoas andarem nos pedalinhos em forma de cisne. Afinal foi minha mãe que me apresentou este local. 

Aqui eu me desligo, ignoro qualquer perigo que possa me rodear. As pessoas, o preconceito, a solidão; nada disso me toca, nada disso existe pra mim agora. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Contos do espelho das graças

Pelada no inverno, parte três:


Noite de inverno.

Por acaso sabe o que significa uma maldita noite de inverno?

Significa que eu terei de fazer uma escolha “simples” se quiser sair pro Pub hoje.


Opção um: Usar a roupa que eu quero, ficar bonita e morrer de frio.

Opção dois: Usar uma roupa quente que me deixe um balão.


Quer saber? Pro inferno tudo isso! Vou dormir pelada e ver algum drama bem pesado. Deixe-me ver o que tenho em DVD... Porra, nenhum drama que eu queira rever.


Pena que Requiem for a Dream era da Paola.


Dane-se, vou ver esse com a Kristien Stewart mesmo, assim pelo menos me agrada os olhos.


(TRRRRRRRIIIIIIIIIING!)


Caralho! Quem é o filho da puta que veio me ligar justo agora? Se eu descobrir quem é juro que.


- Alô! – Atendi com o maior desprezo que pude. Tive um choque.

- Oi Érica! Aqui é a Paola. Como você está? Senti tanta saudade sua...


Ah! Sabia que ia sentir uma saudade!


- Ainda viva. Como vai a faculdade? Fiquei sabendo do teu problema com a transferência de curso.

- Ah, deu uns perrengues, mas se Deus quiser vai dar tudo certo. Tem algum programa pra noite?


E agora? Entrego o jogo dizendo que ia ficar em casa na maior merda? “Ah, ia ver uns filmes pra ver se saio da fossa que tu me atiro!”


- Nada em mente.

- Então vamos lá num Pub na cidade baixa, umas amigas minhas falaram super bem, que se acha?


Dúvida.


- Érica?


Ah, se a montanha veio até mim, então que seus frutos sejam bem aproveitados.


- Ta certo então. Só vou trocar de roupa e já vou. Aonde te encontro?

- Hm... Daqui uma meia hora eu passo aí no seu prédio e aí nós duas vamos juntas.

- Ok.