segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Contos do espelho das graças

(Aqui é a Stone. Sei que o combinado era a madame postar a história dela primeiro, mas azar o dela. A minha foi escrita primeiro. E além do mais é tudo uma questão de interpretação; essa história não é da madame afinal.

Mas que droga. Vou falar do que importa. Imagino que alguns vão ficar meio chocados quando começarem a ler esse conto. Porque fala de lésbicas. Á essas pessoas eu digo: cresçam caramba. Ler essa história não se difere nem um pouco de quando tu lê a história do patinho feio; é tudo ficção e o que interessa é o psicológico dos personagens.

Só mais um aviso: Esse conto terá continuação e parte da história que será montada em pequenos contos a Madame vai participar. É isso, agora não vou mais encher o saco. Podem ler.)


Érica, parte um:

Hoje faz um mês que estamos juntas.

Eu a encaro enquanto ela põe a mesma maldita calça de brim que ela usa todos os sábados quando saímos. Nenhuma palavra. Ela se esqueceu.

Pensei que dessa vez seria diferente, mas me enganei. Devo ter confundido as coisas. Mas também com um corpo desses eu não tenho culpa. Tenho que parar de dar tanto poder a um par de nádegas e a um rosto bonito.


- Você está bem? Parece tão abatida?


Esqueci de falar que ela é de São Paulo, meio que metida a Gaúcha.


- Não é nada não. Só estou um pouco triste, deve ser a TPM ou a ressaca de ontem.

- Hm.


Odeio quando ela vem com esse descaso. Isso esclarece tudo. É hora de virar a página...


- Sabe Érica – Paola interrompeu minha linha de raciocínio. Estranha essa voz que ela está usando, tão grave – Acho que as coisas não estão mais como eram antes... É melhor acabar logo com tudo de uma vez... Não que seja sua culpa, é uma coisa mais interna, sabe?

Geminiana cretina! Ontem mesmo tava toda meiga pra cima de mim, agora vem com esse papinho de culpa.


- Foi bom enquanto durou, mas agora é hora da gente seguir nossos caminhos...


Se bem que assim ela me polpa muito trabalho. Eu já ia terminar com ela mesmo.


- Fala alguma coisa.


Mas vou sentir tanta falta desse corpinho... Ai esse cabelo repicado!

Que merda.


- Concordo. Foi bom enquanto durou. Se sentir saudades me liga, viu gata?

- Obrigada. Essa sua calma é uma das coisas que mais gosto em você Érica.


Não se trata de calma, é tudo uma questão de lógica, amor.


- Que nada. Somos adultas afinal.

- Então eu vou indo.


Paola se aproximou e me deu um beijo de despedida. Vou sentir falta desses lábios...


- Tchau.


E saiu pela porta. A maldita calça de brim se foi. E eu pensando que encontraria nas mulheres alguma sensibilidade!

Fazer o quê. Aonde foi parar o meu maldito isqueiro?

Só o cigarro me é fiel.

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