quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Planeta terra chamando...

     Boa noite
    Sei que talvez quando algum de vocês for ler essa postagem não seja noite, mas isso não depende de mim, peço desculpas. Sim, é verdade que tenho estado bastante ausente neste blog nos últimos tempos, por isso através desses parágrafos estou tentando restabelecer contato - não só com vocês, mas com o meu próprio eu, a X.

    Porém tenho que admitir que a culpa não é só minha, ou melhor, tenho fortes álibis. Tenho andado ocupada com a faculdade ultimamento e isso me deixa um pouco alarmada, pois os próximos semestres prometem ser bem piores. E não fosse apenas isso ainda tem aquela famosa história da procrastinação. O que vem acontecendo é uma legítima procrastinação literária...

    Queria eu ter a resposta para esse dilema que todos nós enfrentamos, por que só fazemos as coisas quando somos cobrados ou o prazo é para o dia seguinte? Ao menos é assim comigo, com a Stone e com a X. Como eu queria ser diferente, mas acabamos sempre sofrendo juntas. Porém, não temam companheiros, já constatei que o problema está no comodismo, na falta de "garra" para ir atrás dos objetivos e persistir. Infelizmente a nossa garra só se manifesta quando o compromisso é para o dia seguinte. A questão é conseguir trazer essa garra estreita para antes onde há tempo e atenção. Nos desejem sorte.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Contos do Espelho das Graças


A estranha, parte doze


“Faz cinco graus em Porto Alegre, venha começar o seu dia aqui com a gente!...” não sei como esses radialistas conseguem essa disposição assim cedo - e com esse frio! – de qualquer modo eu não consegui pregar os olhos a noite inteira. Fico revendo o encontro que tive com minha mãe no restaurante anteontem. Parece até que de alguma forma meu cérebro funcionou como um gravador, de modo que pode repetir tudo o que ela disse a qualquer hora.

Não vou pra aula hoje, ainda posso faltar mais de três dias nessa cadeira. Mesmo que eu me prestasse a sair de casa duvido que desse jeito eu vá prestar pra alguma coisa... O máximo que pode acontecer é perguntarem se estou bem (provavelmente achando que uso drogas pesadas), na melhor das hipóteses eu esbarraria em Érica em alguma esquina, nós iríamos para algum café, faríamos as pazes e então eu a traria pra cá. Claro, vai sonhando Paola, se eu fosse você adotaria logo um gato. Que horas serão? Cinco pras seis? Aiai.


“Filha, você precisa tomar um rumo na sua vida. Eu não estarei aqui para sempre.... Na verdade é sobre isso que eu vim falar com você hoje” NÃOOO, não quero lembrar disso de novo cérebro! Me deixa em paz! Chega, tenho que fazer alguma coisa ou vou enlouquecer. Que seja, vou trocar de roupa e dar uma volta na Redenção – só espero não ser atacada por algum maluco... Pentear o cabelo: feito, escovar os dentes: feito, colocar qualquer roupa confortável: foda-se estou pronta.


Sorte que o meu apartamento não fica longe do parque, mesmo estando de óculos escuros não devo estar caminhando de uma forma lá muito convencional. Parece até que estou fugindo de alguém... De mim talvez. Nem parei pra pensar que a rua é meio deserta as seis e dez da manhã. Duvido que alguma coisa esteja aberta também! Sinaleiras, quem precisa de vocês à uma hora dessas, eu vou é correr. Arrg, esse chão ta tão barrento... vou caminhar ali pro centro aonde tem concreto.


Incrível como tem gente aqui nessa hora, não são muitas pessoas na verdade, mas eu esperava menos. Esses corredores são mesmo uns viciados. Olha lá, tem alguém sentado na beira da lagoa dos pedalinhos... Parece tão feliz quanto eu. Vou passar mais perto... De longe não deu pra perceber, mas é uma mulher (e é bonita a moça) acho que vou me sentar ali perto. Arg, essa grama ta molhada e esse lugar ta muito frio! Esfregar as mãos não ta mais dando muito certo.. Gente, como ela é parecida com a Érica... Não fosse essa expressão tão diferente, esses óculos retangulares, esse estilo de roupa diferente e o cabelo curto eu diria que é ela sim.


- Posso ajudar? - Antes que eu pudesse desfazer a minha cara de total assombro percebi que ela estava olhando para mim e até a voz era igual, mas o tom é tão diferente! - Hã... Tu ta olhando pra mim? – ela virou-se lentamente para olhar para os lados.


- S-Sim........ – Ótimo, agora só tenho que parecer menos louca – Desculpa, é que você é muito parecida com... Uma amiga minha. E eu não dormi essa noite também.


- Eu também não. As lembranças da minha mãe no final de sua vida me tiram o sono... Falei algo de errado?


- N-não! É que... Comigo foi a mesma coisa. Eu e minha mãe não nos damos muito bem sabe? E quando eu me mudei pra cá ficamos mais distantes do que nunca. – não devia estar me abrindo assim com uma estranha, mas ela é tão igual a Érica que me sinto quase íntima dessa moça.. – Nessa última quarta nós almoçamos juntas. Ele me disse que está muito doente... Está com câncer.


- Sinto muito. Nunca é fácil.


Merda, não queria chorar assim na rua, com essa estranha misteriosa... Merda! “Eu começarei o tratamento na semana que vem. Não sei se vou conseg...” as lágrimas de minha mãe agora pareciam se materializar para fora de do meu  próprio rosto, como se as dimensões se juntassem e o passado tentasse voltar para o presente. Um barulho de lápis me distraiu lápis raspando o papel.

- Pra você.


Peguei o desenho feito as pressas da pseudo Érica, era uma princesa na janela de uma grande torre que deveria pertencer a um castelo. A princesa chorava ao olhar pelo horizonte.


- Essa é você. – Ela se levantou lentamente e estendeu a mão para me ajudar a levantar, eu aceitei. Ela me abraçou como se eu fosse muito menor, apesar de eu ser só um pouco mais baixa. Não aguentei e voltei a chorar. – Por favor, entenda, não tenha medo da liberdade. Isso é um processo que pode doer..


- O-obrig-ada... – Não tinha reparado, mas os olhos dela também são verdes como os de Érica.  Não pode ser! – qual o seu nome?


- Assinei o desenho. Cuide-se.


Fiquei olhando ela se afastar devagar. Isso é um sonho? Virei o desenho para ver a assinatura “LH”. É alguma piada?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Âmago

Sobre verdades me debruço e choro
E com as lágrimas sinto o gosto da terra
Anunciando o óbito sorrateiro,
Aquele que me consome pouco a pouco
Como um tumor, que não abita a carne e sim a alma.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As Eternas Geleiras

Nessas novas geleiras
Em que me ponho a pensar
Reflito o porquê, de tanto pesar.
As geleiras! As novas geleiras!
Parecem mais eternas do que qualquer geleira.
Não há neve, nem frio, mas sim geleira.
Sem flocos de neve, apenas água salgada.
Tão solitária, tão colossal, e – por deus! – tão eterna!
Sonha o sonho dos outros, sente o amor de outros,
E ri; de outras piadas como se fossem suas.
Mas ainda assim,
É simples gelo: acumulado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Vultos

Existem fantasmas no meu passado difíceis de esquecer
Fantasmas que volta e meia voltam para atormentar,
E para eles respondo "Não mais, não mais"
O silêncio é o melhor discurso e o tempo
É o remédio mais aguardado.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ensaio sobre o indivíduo absoluto

Dentre todos os mundos
O que melhor conheço é o meu
E entre todas as lembranças a que mais me marcou
Foi aquela faz pouco tempo

Efemeridade - entendo bem
Eternidade me soa estranho

A pior das dores é a minha
O pior dos medos – com certeza! – é o meu
E quando me falas
Das tuas terríveis dores
Dos teus piores medos
Ouço nitidamente o riso do desdém,
E sinto novamente os pingos gélidos da estranheza.

Rio de ti, de renome errado, de risos rasgados, de clareza escura, que de bico calado é mais digno de pena do que pena sem galinha
Não insista!

A pessoa mais sensitiva sou eu
E a verdade mais verdadeira, a minha
Pois a ti, meu caro semelhante,
Resta apenas à metafísica.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Contos do Espelho das Graças

No último cigarro, parte onze:

8:00 AM, ainda é cedo, vou dormir mais um pouco... 9:00 AM, só mais cinco minutos. (...) 11:00 AM, que barulho é esse?! Ah, o interfone... Quem poderia ser? Ai meu dedinho! Que merda esse rodapé da cama, só serve pra bater o pé! Se ele não sustentasse o meu colchão de uma maneira tão eficiente juro que pegava uma serra e transformava tudo em lenha!

- Sim?

Minha voz deve ter saído com um aspecto horrível, a pessoa nem ta respondendo.

- Quem fala?

Eu podia estar dormindo agora, então desembucha!

- Hã... Oi Érica! Aqui é a Alice... Não sei se tu ainda se lembra de mim.

- Alice... Tu não deveria estar na aula agora?

Meu sono me impede de ser educada.

- Eu poderia dizer o mesmo. Mas não. Hoje é a minha “folga” na semana. Posso entrar?

Entrar? Droga, como que ta o meu cabelo? Eu to de calça? Ah, to sim.

- Entra aí.

Eu tenho o tempo dela subir três lances de escada pra dar uma ajeitada aqui. Puts, acho que não vai dar tempo, isso aqui ta um caos! Vou escovar os dentes.

Beee!

Saco, ela já ta na porta! Ok, pelo menos deu pra dar uma escova. Nossa, minha cara ta toda amassada. Vou abrir essa bendita porta marrom.

- Oi Érica! Há quanto tempo... Tu corto o cabelo?

Nossa, a Alice não mudou nada! Parece até que ta com a mesma roupa de quando a gente se viu pela ultima vez. Só os óculos... Esses são redondos e não quadrados, acho que combinou mais com ela.

- Sim e não. Como que tu ta? – Me aproximei e abracei ela, deixando sem reação. Pelo visto eu ainda mexo com ela.

- Bem né. Entediada, mas saudável! Depois que te deu essa Loca aquele curso quase que perdeu a graça. Mas como assim “sim e não”, ele ta bem mais curto do que eu lembrava!

-Bom. É que eu cortei ele, mas já faz um tempo... Na verdade eu cortei em casa na semana passada...

Alice ficou de boca aberta.

- Cruzes! E tu teve coragem? Teu cabelo era tão lindo antes!

- Muito obrigada pelo “antes”, acho que fiz cagada mesmo.

- Ah... Mas ele ta legal agora também. Só da um choque pra quem não ta acostumada.

O primeiro silencio constrangedor em que ela ficou me olhando com aqueles olhos brilhantes se deu início e agora me pergunto se devo perguntar o porque da visita dela ou não. Não sei se quero saber.

- Então... Quer comer alguma coisa? Tem pão e café...

- Na verdade eu vim pensando em te convidar pra almoçar. Precisamos colocar a conversa em dia!

Conversa...

- Aonde seria?

Percebi que tinha uma carteira de cigarro com exatamente O ultimo deles me olhando de cima do balcão da cozinha. Que tentação!

- Isso tu vai ter que descobrir. Não to afim de ficar explicando! Agora tira esse olho de cima daquele cigarro!

Olha! Ta ficando imponente a moça! Pena que agora não seja o momento certo pra isso. Ai Alice. Hoje eu realmente não to com ânimo pra sair.

- Aonde tu quer ir?

- Ah, ta bom! Pode ser em qualquer um aqui perto. Acho que vi um vegetariano bastante promissor pelas redondezas...

Vegetariano? Não chego a ser vegetariana, mas adoro comida sem carne. Se o preço não for muito indigesto até que seria uma boa. Mas o que eu não sei é o que ela veio fazer aqui... Faz tempo que eu não vejo essa guria, mas eu conheço essa cara! Aí tem.

- E então?

- Aiai, que horas são?

- Hora de se mexer! - Lá vai ela entrando pela minha porta toda animadinha – Vamos lá Érica, o que tu tem que fazer pra ficar pronta?

É, acho que não tenho escapatória.

- Espera aí na sala. Daqui a pouco eu to pronta.

- Ta bom. - Voz de triunfo, merda, ela soube exatamente como me convencer. Estudante de psicologia é foda.

Me arrumei rapidamente, nem tinha muito o que fazer com o cabelo, só coloquei um creme pra deixar ele um pouco espetado. O que me incomoda nela são esses jogos psicológicos. Se gosta de mim fala logo guria! Do jeito que as coisas vão eu até poderia te dar uma chance. Só não sei se me arrependeria ou não.

- Já ta pronta?

O que ta fazendo aí na minha estante? Sabia que tava me estudando. Tá, ta bom, eu devo estar exagerando.

- To.

Peguei o gracioso cigarro em cima da mesa e acendi.

- Vamos?

-Vamos. - Olhou torto pra ele como eu sabia que faria.

O restaurante era realmente perto, em menos de dez minutos já estávamos lá. Conheço algumas pessoas que definiriam o lugar como uma espécie de viveiro de “ecochatos”, ou simplesmente como um lugar clean. Até que é agradável... O branco das paredes se quebra com os efeitos da iluminação em tons de amarelo no teto e verde em alguns pontos perto do chão. Tem também esses quadros de frutas e paisagens que por algum motivo os restaurantes adoram. Alice escolheu uma mesa perto da parede, uma pequena pra duas pessoas, e eu a segui.

- Se eu te conheço, tu deve ta se perguntando por que eu te chamei aqui né?

Ela ta usando esse tom de brincadeira, mas eu sinto a cautela na voz dela. Aonde ta querendo chegar?

- É, acho que tu acertou.

-Não se pode esconder nada para os que tem o dom da psicologia! – riu – Bom. Esses dias eu encontrei lá no noss... No prédio da Psicologia o Julho. E me lembrei na hora que ele tinha feito aquelas “consultas” contigo.

Pressinto merda vindo por aí.

- Então decidi falar com ele pra ver se tinha contato com uma certa criatura que sumiu do mapa, não é Érica? Então ele me disse que não te via há tempo também, mas que tu ajudou ele num dia lá na Redenção. Daí eu decidi te visitar pra ver como tu tava...

- Hm.

- É... Vamos nos servir?

- Vamos.

Comi muito, comida vegetariana é tudo de bom! Pena que a comida não desceu tão bem quanto poderia, porque eu sei que ela não terminou o assunto. Ela vai concluir uma análise a qualquer momento.

- Eai?

- Eai o que?

- Gostou da comida?

O volume atual do meu estômago responderia isso por mim.

- Sim, bastante.

Um minuto de silêncio.

- Então Érica – Alice ajeitou os óculos arredondados sem tirar os olhos dos meus, lá vem a conclusão – O que eu queria realmente quando te convidei para vir aqui era te perguntar uma coisa... Não, na verdade fazer uma proposta.

As mãos dela estão em forma de delta com o cume virado para cima sobre a mesa, Alice sabe exatamente o que está fazendo. Que inveja.

- Érica Costa Castro, você aceitaria a mim como sua analista?

Imagens no espelho

Boa tarde senhoras e senhores. Gostaria de dizer que a Victória R. está muito perto de terminar o próximo capitulo do Contos do Espelho das Graças. Tenho que comentar: demorou em V. Mas coitada da minha colega, nosso corpo tem andado em extrema atividade mesmo. A X até anda muito feliz agora, porque enfim está tendo uma folga na sua rotina... Enfim.

Chega de falar dos outros! Também ando meio afastada de vocês. Ultimamente tem sido mais fácil me expressar por poemas, mas de vez em quando é bom ter uma linguagem assim mais: aberta. Ser tão subjetiva às vezes me cansa. Nem sempre é bom sabe?

Às vezes, como tantas pessoas, me pergunto sobre o sentido da vida. Não sou como essas que passam toda a sua existência se questionando sobre como tudo surgiu ou porque, sou mais do tipo que prefere viver e tentar descobrir na prática. Porém. Ainda caiu em contradição. Dias e dias que sou feliz, que não penso, que não sou eu, e de repente: Tudo se perde. As coisas perdem o sentido, vejo-me voltando a estaca zero. Tentarei ser mais clara, mas não posso dar muitos detalhes.

Sabe quando tu olha pra ti e diz eu sei exatamente quem tu é, sei quem tu será, sei a quem tu é fiel e sei o que te faz feliz? Poder falar isso significa estar em paz. E eu não estou mais.
É como se tudo que eu construí até aqui entrasse em curto, perdesse a cor. Eu tento me reanimar, tento continuar, mas acabou: não é mais o que era antes. Será que ainda sou a mesma de antes? A mesma Madame R? Não consigo responder.

Vejo-me entre duas escolhas. É investir no presente ou pensar no futuro. É decidir entre o que me faz feliz e quem eu sou, e isso me leva novamente a uma pergunta.
- Quem eu sou?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Casa de fundição

Momento inóspito  da mente
Aquele em que tento inaugurar
Uma coisa que recentemente
Obrigo-me a aceitar.

Rimas, o que são rimas?
Aquelas coisas que se vê por aí
Reflexo de um passado em Minas
Da resignação do Andaraí.

Me culpo, me julgo
E erro na expressão
Corrijo-me e sinto novamente a resignação

Das rimas tortas
Se fez o bolo
No qual me fundo na contradição.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Engaiolada

E se os pássaros falassem?
O que diriam eles
De seres tão terrestres?

Será que gostariam de ter mãos e pés,
Assim como nós,
Que almejamos em cada bater de asas a liberdade?

Não.
São livres
Do pensamento
São livres
Para voar.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Condiz com o meu estado de espírito

Antonio Vivaldi : Concerto for 2 Cellos in G Minor

Caninos

Fome que corrói.
Meus dentes afiados incorporando uma fera,
Nos caninos a fúria de um leão.

Ainda fosse apenas fome.
Quando a mente está bem o corpo aguenta, mas não
A decepção me presenteia com essa raiva aguda.

Quero despedaçar, dilacerar
Quero morder! Arrancar aos pedaços a injustiça,
Apaziguar minhas chamas.

Pensei que estaria sempre ao meu lado,
Que se preocupava.
Sinceramente
Eu esperava mais.

De você, de mim
Do mundo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sem conclusões sobre o assunto.

Raiva. Fenômeno interessante que me atormenta por alguns dias do mês.

"V? Há quanto tempo??" Pois é. Há quanto tempo, não é criançada. O que posso dizer? Eu não sou muito de escrever. Imagino que talvez há uma hora desses vocês já tenham percebido isso.

Tantas são as coisas com o poder de tirar a gente do sério! (pelo menos à mim) Eu poderia fazer listas e listas de coisas que me abalam, me irritam, mas não - eu só sinto. Certas coisas não são para serem expressadas, são para serem sentidas.

Eu disse que não ia listar, mas eu me contradigo. Dentre todas as coisas posso citar pelo menos duas situações que se agrupam no mesmo sistema conceitual (voltei com tudo, falando difícil também!): Injustiças.

Antes que você diga "que coisa mais óbvia Victória Stone!" eu digo cala a boca e escuta. Essa palavra injustiça tem uma gama de significados, ou pelo menos de situações, muito grande. Então não me venha falar que já imaginava isso de mim, porque talvez você ainda não saiba o que eu estou querendo realmente falar.

É justamente esse tipo de injustiça um dos que eu estou tentando condenar: A injustiça do mau entendido, da conclusão precipitada. Quando uma pessoa se atreve a te denominar uma coisa que você não é, no meu caso uma pessoa fria.

Tudo bem que talvez para a minha parte do ser isso seja um pouco de verdade, mas é no mínimo ignorância falar isso da madame sentimental R. Puta que pariu. Nem todos tem aquela sensibilidade de perceber que o silêncio pode ser uma forma de afirmação? Não, não tem V.

Agora que talvez vocês não estejam entendendo nada, vou para a segunda maneira de injustiça aplicada... Opa. Já me esqueci do ícone original que ia estar nessa linha, mas não tem problema, coloco outro(s) no lugar. Interpretações erradas, tanto de textos, quanto de conversas. Não preciso nem explicar né? Pra esse tipo de pessoa eu só desejo uma coisa: sofra com a sua ignorância infeliz.

"Cadê a tua conclusão V? Não ia falar de duas formas de injustiça? Tu falou quase que a mesma coisa duas vezes!" Pois é, entenda o que eu escrevi como quiser, mas na prática posso garantir que as duas situações não são iguais. Porquê? Porque uma é o mau entendido do silêncio e a outra do que foi falado. Quanto a minha conclusão do assunto... Não estou muito a fim de fazer. Até a próxima tpm crônica.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Exaustão

 A cabeça ferve,
 Terei eu pensado demais?
 Não sei.
 Tudo o que sei é que cansei
 Cansei de estar cercada
 Cansei de tentar entender.
 Descansarei.
 Que o mundo gire sozinho
 E me deixe parar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Nem um café.

 Engraçado como com o tempo vamos ficando cada vez mais dependentes da tecnologia. Eu, por exemplo, tenho escrito cada vez menos.
- Porquê?
 Porque me acostumei a escrever no meu computador e por causa disso minha inspiração não acompanha a possibilidade de escrever.
 Foi bom mesmo perceber isso. Essa dependência me deixa agoniada! O que somos nós humanos sem a eletricidade hoje em dia? Nem um café. Até as cafeteiras de fogão entraram em desuso (com algumas exceções).
 Coisas antigas me encantam. Uma máquina de escrever funciona sem luz. Uma torradeira de chapa funciona sem luz - e com um pouco mais de conhecimento podemos trocar o fogão por uma fogueira!
Aonde quero chegar com tudo isso? Lugar algum. Simplesmente tenho que usar mais o bom e velho papel e caneta.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No Brilho dos Olhos

 Triste é perceber que não te amam
 Que aqueles que deveriam fazê-lo
 Vêem isso como um peso,
 Um compromisso que prefeririam não ter. E seriam mais felizes sem.

 Triste é ter que fingir
 Que não percebe nos olhares
 A reprovação
 E a saudade incômoda de
 Uma inocência da qual todos ajudaram a matar.

 Triste é saber que ela não morreu,
 Mas que no brilho dos olhos sínicos
 Só existe a cegueira.

 Antes adotem outra criança
 Dêem meu nome a outra gente,
 Mas não finjam que me amam.

É tão triste reprovar essa mentira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

As três fazes do cérebro, pelo menos do meu...

Bom dia. Estive ausente por um tempo... Nem sempre é muito fácil organizar as coisas em nossa cabeça.

Pelos registros percebo que não postei nada durante o mês de Julho inteiro, um pouco irônico. Mas sabe, às vezes ficar vazia é necessário - é uma coisa difícil de explicar. É como se houvesse um ciclo no funcionamento do cérebro, existindo três fases: A fase em que absorvemos informações, sentimentos e experiências; a fase em que digerimos tudo isso nos isolando em diferentes níveis e, por fim, a fase em que colocamos tudo isso pra fora num processo de externalização...

Adaptando isso ao meu funcionamento, diria que eu consigo escrever em duas dessas fases. Na absorção, quando eu crítico e coloco o meu ponto de vista das coisas, e na externalização (palavrinha um tanto complicada, será que existe mesmo?) o momento em que eu consigo criar alguma coisa, como uma história.

Isso tudo está me parecendo um tanto chato e começo a temer o fato de que vocês achem que eu estou enrolando. Mas com este post eu pretendia talvez três coisas (esse número de novo..): Explicar o meu desaparecimento, voltar a ter contato (mesmo que sem retorno) com vocês e trazer essa minha analise do funcionamento dos nossos cérebros... Se pensam parecido, por favor, podem ~externalizar~ os seus pensamentos.

PS: Só para deixar vocês a parte, agora temos uma conta também no site abcles. Por lá se pode encontrar os Contos do espelho das graças e muitas outras histórias com a temática lésbica... Aos interessados o link é esse:  http://www.abcles.com.br

Contos do espelho das graças

A garota do espelho, parte dez:

Se não me engano foi aqui, no prédio de psicologia ao lado do planetário. Ela era só uma aluna, mas eu queria falar com alguém. Alguém que quisesse me ouvir não apenas pelo dinheiro – até porque eu não poderia pagar.

Quero agradecer a ela por tudo. Ouviu meus desabafos e me salvou de uma surra. Preciso que ela saiba como me fez bem antes da minha partida. Eu, que sei como é encarar o preconceito das pessoas de frente, imagino os problemas e desafios que ela deve estar passando. Entrei pelo portão principal, o guarda na guarita nem me notou. Fui andando até onde eu sabia ser a recepção do curso. Não sabia como iria encontrar Érica no meio desse prédio, mas estava contando com a sorte e seguindo a minha intuição. Eu podia sentir. Era ali que eu deveria estar agora.

Fui em direção a uma funcionária – não parecia muito feliz – reconheci ela da outra vez em que estive ali.

- Pois não? – Me recebeu sem ao menos ver o meu rosto.

- Bom, como explicar... Eu vim encontrar uma aluna do curso de psicologia, Érica o nome dela, sabe como posso achá-la?

- Olha meu amigo, não tenho muito o que fazer por ti. Tu consegue imaginar quantas Éricas podem estar nesse prédio nesse momento? Sugiro que use a internet, vocês jovens são bons nisso afinal.

Internet... Se eu tivesse uma.

- Está bem. Obrigado, tchau.

Que coisa. Parece que a minha intuição estava errada afinal. Foi muita ingenuidade minha achar que vindo aqui eu a encontraria facilmente.

- Ei! Tu aí! Espera!

Uma voz feminina me chamou a atenção. Pelo visto a minha entrada aqui não deve ser permitida. Ela veio correndo, não me lembro dela. Cabelo castanho escuro, médio e preso, com muitas mechas soltas. Olhos também castanhos, porém  brilhantes. Óculos arredondados, um pouco fora de moda, Jeans levemente boca de sino, um all star verde surrado e uma camiseta preta desbotada dos Beatles que parecia combinar com a sua pele levemente bronzeada.

- Eu me lembro de ti! Fez consulta com a Érica no início do ano! Como que tu ta?

Aproximou-se e me cumprimentou com um beijo na bochecha. Cheirava a café.

- Bem. Na verdade vim procurá-la pra agradecer a ajuda...

- hm.. Então pelo jeito tu também não tem mais contato com ela não é? Que droga, achei que poderia ter alguma notícia.

- Como?

- Vem,vamos tomar um café, que eu te conto a história. Nossa esse curso sem a Érica tem sito bem mais maçante. Um tédio pra ser mais exata!...

Seguimos em direção ao que deveria ser a cafeteria do lugar. Ela falava comigo como se fossemos amigos. Parecia ser uma pessoa legal. Mas eu estava intrigado. Porque Érica não vinha mais pra faculdade? Se ela não a via há tanto tempo, essa não deveria ser a namorada dela.

- Foi no final de Abril, se não me engano – ela chegou ao ponto mor da história quando já estávamos sentados em umas das mesinhas quadradas e esperando pelos dois capuccinos - Érica havia começado a se comportar de uma maneira muito estranha... Começou a perder o equilíbrio. Como você sabe isso é uma coisa que não é característico dela. Um dia quando estávamos em uma aula direcionada aos traumas de infância ela simplesmente ficou pálida, saiu da sala logo em seguida. Cara. Ele era forte, aguentava qualquer tema numa boa! Ninguém entendeu essa reação dela... Todos deduzimos que ela tivesse algum histórico na família e nenhum psicólogo tem permissão de lidar com os problemas em que está envolvido de alguma forma. Não é seguro.

- Tu acha... Que eu tenho alguma coisa a ver com isso?

- ... Sim. Eu juntei as coisas sabe? Ela começou a ficar estranha logo depois de tu ter pedido a ajuda dela. Eu sabia que não era seguro ajudar alguém tão cedo. Mesmo que sejamos alunas esforçadas, ainda somos somente alunas.

- Então ela abandonou o curso?

- Espero sinceramente que não tenha feito isso. Ela tinha talento pra coisa... Acho que ela deve apenas ter trancado. Combina mais com o estilo dela.

Ficamos em silencio por um tempo enquanto a minha gratidão se convertia em culpa.

- Sabe – ela começou meio relutante – Se não for muito particular... Eu queria saber o que você contou pra ela. Eu sei que deve ser uma coisa muito intima! Mas... Eu estou preocupada com ela. Ela já fumava antes... Agora deve estar fumando mais do que nunca.

- Tu deve gostar muito dela. – ela congelou a expressão em uma cara de interesse - Bom. Acho que posso te contar sim... Se me prometer o sigilo absoluto esperado de uma psicóloga, é claro.

- Pode deixar comigo! Sou o sigilo em pessoa.

Apertou a minha mão como um sinal de cumplicidade.

- A propósito. Vamos nos apresentar devidamente! Me chamo Alice, em homenagem ao meu espelho!

- Prazer, me chamo Julho, em homenagem ao mês em que meu pai morreu.

Soltamos as mãos e rimos das nossas desgraças enquanto a garçonete trazia os nossos capuccinos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Contos do Espelho das Graças

Por outros lados, parte nove

Tento me acalmar pela décima vez. Meu tio ali na sala não pode perceber minha alteração, senão as coisas ainda podem ficar piores... Melhor é me concentrar em outra coisa que não seja a minha vida pessoal problemática, como vimos isso só leva a lágrimas. 

Como eu odeio chorar! Além de tudo meus olhos ficam vermelhos e inchados e, ainda por cima, doendo. É incrível como as pessoas conseguem deixar a minha vida tão complicada. Minha mãe em São Paulo quer me afastar de um “estilo de vida problemático” o que segundo ela me ajudaria nessa minha “fase confusa”. Que ódio que eu tenho de tudo isso! Quem precisa de terapia são eles.

Não sei como minha mãe tem coragem de defender os homens quando na verdade ela sempre falou mal do meu pai. Como se eu não estivesse estado lá para testemunhar aquele casamento infeliz durante toda aminha criação! Ainda por cima agora que eu tenho a chance de construir a minha própria vida ela fica se metendo. Ou mais precisamente metendo o meu tio. Que inferno.

Mas o que eu tenho pra essa semana mesmo? Hm. Tenho que adiantar esse ensaio pra terça feira, senão aqueles livros que tenho que ler pra sexta vão me matar, quase que literalmente!
-Paola?                

- Sim tio?
- Tu ta bem sobrinha?
- Claro. É só a tensão da faculdade...     
- Ah sim! Que curso tu ta prestando mesmo?
- Letras. Bacharelado, não licenciatura.
- Hm. Ok.  Quarta a tua mãe vai vim te visitar. Ela me disse que quer ver como que tu ta e discutir as tuas perspectivas...
- Ah sim. Claro.

 Meu tio apesar de um tanto bruto percebeu que eu não estava pra conversa e que a minha falta de animo pra discutir a notícia polemica só podia significar uma coisa: Quero ficar sozinha. E assim foi. Ele saiu do quarto e disse que ia pra sua casa.

 A vinda de minha mãe só me trazia uma coisa em mente. Ela com certeza vai me trazer mais perturbação. Que merda. Nem Letras eu queria fazer.  Minha vontade era de cursar Artes Visuais, ou História da Arte que fosse, as duas me parecem ótimas! Mas claro que esses não são cursos dignos pra ela! Melhor é ser professora então, assim como ela... Professora de Matemática. Depois de tanta briga eu ainda acabei cedendo com algumas condições: primeiro eu me mudaria pra uma cidade da minha escolha; segundo: não iria ser professora de matemática; e por fim, não seria professora e sim tradutora. 

Na hora eu não me dei conta, mas caí numa grande cilada. Pois uma a uma das minhas condições não estão sendo respeitadas pelo jeito... E quanto à história de ser tradutora... Eu realmente não sirvo pra isso! Me sinto totalmente fora do rumo apropriado pra mim.

Mas quer saber de uma coisa? Eu já sei o quero fazer. E sei o que quero mudar daqui por diante! Minha vida será minha e vou fazer com que as coisas comecem a dar certo. Entre minha vida acadêmica e eu, entre Érica e eu. Que chegue quarta-feira! Não tenho receio algum de mostrar pra minha mãe quem a filha dela é de verdade!