terça-feira, 7 de junho de 2011

Contos do Espelho das Graças

Por outros lados, parte nove

Tento me acalmar pela décima vez. Meu tio ali na sala não pode perceber minha alteração, senão as coisas ainda podem ficar piores... Melhor é me concentrar em outra coisa que não seja a minha vida pessoal problemática, como vimos isso só leva a lágrimas. 

Como eu odeio chorar! Além de tudo meus olhos ficam vermelhos e inchados e, ainda por cima, doendo. É incrível como as pessoas conseguem deixar a minha vida tão complicada. Minha mãe em São Paulo quer me afastar de um “estilo de vida problemático” o que segundo ela me ajudaria nessa minha “fase confusa”. Que ódio que eu tenho de tudo isso! Quem precisa de terapia são eles.

Não sei como minha mãe tem coragem de defender os homens quando na verdade ela sempre falou mal do meu pai. Como se eu não estivesse estado lá para testemunhar aquele casamento infeliz durante toda aminha criação! Ainda por cima agora que eu tenho a chance de construir a minha própria vida ela fica se metendo. Ou mais precisamente metendo o meu tio. Que inferno.

Mas o que eu tenho pra essa semana mesmo? Hm. Tenho que adiantar esse ensaio pra terça feira, senão aqueles livros que tenho que ler pra sexta vão me matar, quase que literalmente!
-Paola?                

- Sim tio?
- Tu ta bem sobrinha?
- Claro. É só a tensão da faculdade...     
- Ah sim! Que curso tu ta prestando mesmo?
- Letras. Bacharelado, não licenciatura.
- Hm. Ok.  Quarta a tua mãe vai vim te visitar. Ela me disse que quer ver como que tu ta e discutir as tuas perspectivas...
- Ah sim. Claro.

 Meu tio apesar de um tanto bruto percebeu que eu não estava pra conversa e que a minha falta de animo pra discutir a notícia polemica só podia significar uma coisa: Quero ficar sozinha. E assim foi. Ele saiu do quarto e disse que ia pra sua casa.

 A vinda de minha mãe só me trazia uma coisa em mente. Ela com certeza vai me trazer mais perturbação. Que merda. Nem Letras eu queria fazer.  Minha vontade era de cursar Artes Visuais, ou História da Arte que fosse, as duas me parecem ótimas! Mas claro que esses não são cursos dignos pra ela! Melhor é ser professora então, assim como ela... Professora de Matemática. Depois de tanta briga eu ainda acabei cedendo com algumas condições: primeiro eu me mudaria pra uma cidade da minha escolha; segundo: não iria ser professora de matemática; e por fim, não seria professora e sim tradutora. 

Na hora eu não me dei conta, mas caí numa grande cilada. Pois uma a uma das minhas condições não estão sendo respeitadas pelo jeito... E quanto à história de ser tradutora... Eu realmente não sirvo pra isso! Me sinto totalmente fora do rumo apropriado pra mim.

Mas quer saber de uma coisa? Eu já sei o quero fazer. E sei o que quero mudar daqui por diante! Minha vida será minha e vou fazer com que as coisas comecem a dar certo. Entre minha vida acadêmica e eu, entre Érica e eu. Que chegue quarta-feira! Não tenho receio algum de mostrar pra minha mãe quem a filha dela é de verdade!

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