Adubo de Érica, parte oito
“Mas da onde vc o conhece?” aiai, mais uma vez essa perguntinha? Mas que droga! Eu já respondi! “Não sei se realmente o conheço, é que ele me lembra um menino que eu conheci na infância” “Então porque vcs tavam conversando?” aaah! “A gente não tava conversando. Eu corri com ele pra fugir de um bando de neonazistas”. E o interrogatório pelo bate papo do computador continuou, mas por mais que eu me empenhasse não conseguia convencer Paola da minha inocência.
Também não era pra menos. Eu mesmo me surpreendo de quão absurda a realidade pode ser às vezes, mas o pior de tudo é que era a pura verdade! Mas que ciúme é aquele afinal? Ciúmes de um homem? Como assim? Isso é muita insegurança. Não pode ser sério.
“Érica, acho que isso é uma coisa importante pra ti, só que você não percebeu ainda... Eu vi o olhar na sua cara! E não era normal... Eu preciso saber o que te afeta tanto assim nessa história” “Escuta Paola, não era tu que queria terminar comigo a um tempo atrás? Porque todo esse interesse pela minha vida sentimental de repente, em? Não estou te entendendo.”
Ok. Se arrependimento matasse eu já estaria servindo de adubo pra alguma secóia na América do Norte agora. Como eu queria que esses programinhas tivessem a opção de “apagar”. Seria salvadora essa opção! Que merda, ela não ta respondendo. Ela não deve saber a resposta! Aah que droga. O melhor a fazer depois de uma cagada dessas é deixar a coisa esfriar. Há não ser que isso tenha magoado muito Paola... Mas o que eu to pensando? Ela nem deve ter levado isso a sério! Nosso relacionamento sequer chega a ser oficial. Será que a errada sou eu? Talvez eu devesse ter tomado a iniciativa desde o início... Aonde que ta o meu isqueiro? Mas que merda!
“Érica..” cancelei minha busca por um estante na expectativa do que estava por vir “Não quero pressionar você a nada. Acho que precisamos de um tempo pra colocar a cabeça em dia. E vou tentar fazer isso dar certo dessa vez.”
Paola parece estar offline. As mensagens serão entregues quando esse contato entrar.
Ah, então é aí que tu tava todo esse tempo? Seu danadinho! Vem pra cá. Ascende esse cigarro pra mim, ok? Hoje teremos uma longa noite pra pensar, meu velho amigo. Como será a vida de um adubo?
Nenhum comentário:
Postar um comentário