sexta-feira, 11 de março de 2011

Correnteza

Sempre ouvi dizer que não é bom se prender ao passado. Mas sabe de uma coisa? Às vezes a memória é tudo o que temos. Quando isso acontece o presente perde o sentido e acordar se torna cada vez mais desnecessário.
 Se você é como eu, sabe do que estou falando. Se não é, irá me chamar de maníaca depressiva. Eu não me importo. Porém existe um problema para nós que habitamos durante muito tempo o nosso próprio pensamento: O real se torna irreal e suas lembranças se tornam fantasiosas. O que leva a uma pergunta um tanto estúpida, porém perfeitamente pertinente...

- Isso existiu? Será que algum dia essas lembranças felizes realmente foram sólidas?

E eis que chegamos a um momento de risco para os navegantes de sua própria mente, um momento de colapso, de crise – pois não sabemos se aquilo o que nos restava, aquilo que tínhamos, era real.
 Estive em crise durante meses com minhas memórias e agora concluo que se elas de fato aconteceram ou não, não importa. Pois de uma forma ou de outra se foi; e por isso não existe mais, mesmo que algum dia o tenha. Me conformo com o presente, que é onde eu vivo e reparo nas cicatrizes não só do meu corpo, mas da minha alma, pois elas são a prova de que o passado existiu.

2 comentários:

  1. engraçado que, hoje tive um dia um tanto nostálgico, lembrando de coisas antigas que passei com pessoas que eu gosto... Mas tem certas lembranças que mais parecem sonhos, pois não enxergamos claramente, não lembramos de alguns rostos e isso se torna algo frustrante e triste.. a única coisa que nos prova que aconteceu é o que a gente sente, como tu mesma disse: "Me conformo com o presente, que é onde eu vivo e reparo nas cicatrizes não só do meu corpo, mas da minha alma, pois elas são a prova de que o passado existiu."
    Muito bom o texto :D

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  2. É interessante a sincronicidade que existe na vida... Te entendo perfeitamente! Quando as lembranças se apagam é que começam as correntezas da mente, que nos arrastam para lugares sombrios ou sublimes. Muito obrigada pelo teu comentário Luisa.

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