sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Caninos

Fome que corrói.
Meus dentes afiados incorporando uma fera,
Nos caninos a fúria de um leão.

Ainda fosse apenas fome.
Quando a mente está bem o corpo aguenta, mas não
A decepção me presenteia com essa raiva aguda.

Quero despedaçar, dilacerar
Quero morder! Arrancar aos pedaços a injustiça,
Apaziguar minhas chamas.

Pensei que estaria sempre ao meu lado,
Que se preocupava.
Sinceramente
Eu esperava mais.

De você, de mim
Do mundo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sem conclusões sobre o assunto.

Raiva. Fenômeno interessante que me atormenta por alguns dias do mês.

"V? Há quanto tempo??" Pois é. Há quanto tempo, não é criançada. O que posso dizer? Eu não sou muito de escrever. Imagino que talvez há uma hora desses vocês já tenham percebido isso.

Tantas são as coisas com o poder de tirar a gente do sério! (pelo menos à mim) Eu poderia fazer listas e listas de coisas que me abalam, me irritam, mas não - eu só sinto. Certas coisas não são para serem expressadas, são para serem sentidas.

Eu disse que não ia listar, mas eu me contradigo. Dentre todas as coisas posso citar pelo menos duas situações que se agrupam no mesmo sistema conceitual (voltei com tudo, falando difícil também!): Injustiças.

Antes que você diga "que coisa mais óbvia Victória Stone!" eu digo cala a boca e escuta. Essa palavra injustiça tem uma gama de significados, ou pelo menos de situações, muito grande. Então não me venha falar que já imaginava isso de mim, porque talvez você ainda não saiba o que eu estou querendo realmente falar.

É justamente esse tipo de injustiça um dos que eu estou tentando condenar: A injustiça do mau entendido, da conclusão precipitada. Quando uma pessoa se atreve a te denominar uma coisa que você não é, no meu caso uma pessoa fria.

Tudo bem que talvez para a minha parte do ser isso seja um pouco de verdade, mas é no mínimo ignorância falar isso da madame sentimental R. Puta que pariu. Nem todos tem aquela sensibilidade de perceber que o silêncio pode ser uma forma de afirmação? Não, não tem V.

Agora que talvez vocês não estejam entendendo nada, vou para a segunda maneira de injustiça aplicada... Opa. Já me esqueci do ícone original que ia estar nessa linha, mas não tem problema, coloco outro(s) no lugar. Interpretações erradas, tanto de textos, quanto de conversas. Não preciso nem explicar né? Pra esse tipo de pessoa eu só desejo uma coisa: sofra com a sua ignorância infeliz.

"Cadê a tua conclusão V? Não ia falar de duas formas de injustiça? Tu falou quase que a mesma coisa duas vezes!" Pois é, entenda o que eu escrevi como quiser, mas na prática posso garantir que as duas situações não são iguais. Porquê? Porque uma é o mau entendido do silêncio e a outra do que foi falado. Quanto a minha conclusão do assunto... Não estou muito a fim de fazer. Até a próxima tpm crônica.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Exaustão

 A cabeça ferve,
 Terei eu pensado demais?
 Não sei.
 Tudo o que sei é que cansei
 Cansei de estar cercada
 Cansei de tentar entender.
 Descansarei.
 Que o mundo gire sozinho
 E me deixe parar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Nem um café.

 Engraçado como com o tempo vamos ficando cada vez mais dependentes da tecnologia. Eu, por exemplo, tenho escrito cada vez menos.
- Porquê?
 Porque me acostumei a escrever no meu computador e por causa disso minha inspiração não acompanha a possibilidade de escrever.
 Foi bom mesmo perceber isso. Essa dependência me deixa agoniada! O que somos nós humanos sem a eletricidade hoje em dia? Nem um café. Até as cafeteiras de fogão entraram em desuso (com algumas exceções).
 Coisas antigas me encantam. Uma máquina de escrever funciona sem luz. Uma torradeira de chapa funciona sem luz - e com um pouco mais de conhecimento podemos trocar o fogão por uma fogueira!
Aonde quero chegar com tudo isso? Lugar algum. Simplesmente tenho que usar mais o bom e velho papel e caneta.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No Brilho dos Olhos

 Triste é perceber que não te amam
 Que aqueles que deveriam fazê-lo
 Vêem isso como um peso,
 Um compromisso que prefeririam não ter. E seriam mais felizes sem.

 Triste é ter que fingir
 Que não percebe nos olhares
 A reprovação
 E a saudade incômoda de
 Uma inocência da qual todos ajudaram a matar.

 Triste é saber que ela não morreu,
 Mas que no brilho dos olhos sínicos
 Só existe a cegueira.

 Antes adotem outra criança
 Dêem meu nome a outra gente,
 Mas não finjam que me amam.

É tão triste reprovar essa mentira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

As três fazes do cérebro, pelo menos do meu...

Bom dia. Estive ausente por um tempo... Nem sempre é muito fácil organizar as coisas em nossa cabeça.

Pelos registros percebo que não postei nada durante o mês de Julho inteiro, um pouco irônico. Mas sabe, às vezes ficar vazia é necessário - é uma coisa difícil de explicar. É como se houvesse um ciclo no funcionamento do cérebro, existindo três fases: A fase em que absorvemos informações, sentimentos e experiências; a fase em que digerimos tudo isso nos isolando em diferentes níveis e, por fim, a fase em que colocamos tudo isso pra fora num processo de externalização...

Adaptando isso ao meu funcionamento, diria que eu consigo escrever em duas dessas fases. Na absorção, quando eu crítico e coloco o meu ponto de vista das coisas, e na externalização (palavrinha um tanto complicada, será que existe mesmo?) o momento em que eu consigo criar alguma coisa, como uma história.

Isso tudo está me parecendo um tanto chato e começo a temer o fato de que vocês achem que eu estou enrolando. Mas com este post eu pretendia talvez três coisas (esse número de novo..): Explicar o meu desaparecimento, voltar a ter contato (mesmo que sem retorno) com vocês e trazer essa minha analise do funcionamento dos nossos cérebros... Se pensam parecido, por favor, podem ~externalizar~ os seus pensamentos.

PS: Só para deixar vocês a parte, agora temos uma conta também no site abcles. Por lá se pode encontrar os Contos do espelho das graças e muitas outras histórias com a temática lésbica... Aos interessados o link é esse:  http://www.abcles.com.br

Contos do espelho das graças

A garota do espelho, parte dez:

Se não me engano foi aqui, no prédio de psicologia ao lado do planetário. Ela era só uma aluna, mas eu queria falar com alguém. Alguém que quisesse me ouvir não apenas pelo dinheiro – até porque eu não poderia pagar.

Quero agradecer a ela por tudo. Ouviu meus desabafos e me salvou de uma surra. Preciso que ela saiba como me fez bem antes da minha partida. Eu, que sei como é encarar o preconceito das pessoas de frente, imagino os problemas e desafios que ela deve estar passando. Entrei pelo portão principal, o guarda na guarita nem me notou. Fui andando até onde eu sabia ser a recepção do curso. Não sabia como iria encontrar Érica no meio desse prédio, mas estava contando com a sorte e seguindo a minha intuição. Eu podia sentir. Era ali que eu deveria estar agora.

Fui em direção a uma funcionária – não parecia muito feliz – reconheci ela da outra vez em que estive ali.

- Pois não? – Me recebeu sem ao menos ver o meu rosto.

- Bom, como explicar... Eu vim encontrar uma aluna do curso de psicologia, Érica o nome dela, sabe como posso achá-la?

- Olha meu amigo, não tenho muito o que fazer por ti. Tu consegue imaginar quantas Éricas podem estar nesse prédio nesse momento? Sugiro que use a internet, vocês jovens são bons nisso afinal.

Internet... Se eu tivesse uma.

- Está bem. Obrigado, tchau.

Que coisa. Parece que a minha intuição estava errada afinal. Foi muita ingenuidade minha achar que vindo aqui eu a encontraria facilmente.

- Ei! Tu aí! Espera!

Uma voz feminina me chamou a atenção. Pelo visto a minha entrada aqui não deve ser permitida. Ela veio correndo, não me lembro dela. Cabelo castanho escuro, médio e preso, com muitas mechas soltas. Olhos também castanhos, porém  brilhantes. Óculos arredondados, um pouco fora de moda, Jeans levemente boca de sino, um all star verde surrado e uma camiseta preta desbotada dos Beatles que parecia combinar com a sua pele levemente bronzeada.

- Eu me lembro de ti! Fez consulta com a Érica no início do ano! Como que tu ta?

Aproximou-se e me cumprimentou com um beijo na bochecha. Cheirava a café.

- Bem. Na verdade vim procurá-la pra agradecer a ajuda...

- hm.. Então pelo jeito tu também não tem mais contato com ela não é? Que droga, achei que poderia ter alguma notícia.

- Como?

- Vem,vamos tomar um café, que eu te conto a história. Nossa esse curso sem a Érica tem sito bem mais maçante. Um tédio pra ser mais exata!...

Seguimos em direção ao que deveria ser a cafeteria do lugar. Ela falava comigo como se fossemos amigos. Parecia ser uma pessoa legal. Mas eu estava intrigado. Porque Érica não vinha mais pra faculdade? Se ela não a via há tanto tempo, essa não deveria ser a namorada dela.

- Foi no final de Abril, se não me engano – ela chegou ao ponto mor da história quando já estávamos sentados em umas das mesinhas quadradas e esperando pelos dois capuccinos - Érica havia começado a se comportar de uma maneira muito estranha... Começou a perder o equilíbrio. Como você sabe isso é uma coisa que não é característico dela. Um dia quando estávamos em uma aula direcionada aos traumas de infância ela simplesmente ficou pálida, saiu da sala logo em seguida. Cara. Ele era forte, aguentava qualquer tema numa boa! Ninguém entendeu essa reação dela... Todos deduzimos que ela tivesse algum histórico na família e nenhum psicólogo tem permissão de lidar com os problemas em que está envolvido de alguma forma. Não é seguro.

- Tu acha... Que eu tenho alguma coisa a ver com isso?

- ... Sim. Eu juntei as coisas sabe? Ela começou a ficar estranha logo depois de tu ter pedido a ajuda dela. Eu sabia que não era seguro ajudar alguém tão cedo. Mesmo que sejamos alunas esforçadas, ainda somos somente alunas.

- Então ela abandonou o curso?

- Espero sinceramente que não tenha feito isso. Ela tinha talento pra coisa... Acho que ela deve apenas ter trancado. Combina mais com o estilo dela.

Ficamos em silencio por um tempo enquanto a minha gratidão se convertia em culpa.

- Sabe – ela começou meio relutante – Se não for muito particular... Eu queria saber o que você contou pra ela. Eu sei que deve ser uma coisa muito intima! Mas... Eu estou preocupada com ela. Ela já fumava antes... Agora deve estar fumando mais do que nunca.

- Tu deve gostar muito dela. – ela congelou a expressão em uma cara de interesse - Bom. Acho que posso te contar sim... Se me prometer o sigilo absoluto esperado de uma psicóloga, é claro.

- Pode deixar comigo! Sou o sigilo em pessoa.

Apertou a minha mão como um sinal de cumplicidade.

- A propósito. Vamos nos apresentar devidamente! Me chamo Alice, em homenagem ao meu espelho!

- Prazer, me chamo Julho, em homenagem ao mês em que meu pai morreu.

Soltamos as mãos e rimos das nossas desgraças enquanto a garçonete trazia os nossos capuccinos.